O ecologismo apocalíptico contra o desenvolvimentismo predatório

Até bem pouco tempo o ecologista era um espécimen marginalizado pela sociedade, dominado por sentimentos de culpa e dado a profetizar o fim dos tempos. Ninguém levava a sério os ecologistas exceto outros ecologistas. O ecologista se sentia impotente para transformar o mundo na direção de uma civilização sustentável, pois não era ouvido, não encontrava fórum para se manifestar e tinha poucas alternativas viáveis a propor. Em função disso, o ecologista era um depressivo que carregava sozinho a culpa pelos males ambientais de sua espécie. Para esse ecologista dos primeiros tempos a humanidade caminhava para um apocalipse ambiental com direito às piores catástrofes que a mãe natureza enfurecida poderia criar. Bucólicos, idealistas, sonhadores, ingênuos, esses adjetivos eram usados pelos desenvolvimentistas para rotular os ecológicos da primeira geração.

Os desenvolvimentistas, por outro lado, eram ampla maioria; nutriam uma confiança cega nos benefícios da sociedade de consumo; não concebiam a possibilidade de os recursos naturais se esgotarem um dia e acreditavam no lema bíblico crescei e multiplicai. Todo essa fé no progresso ilimitado era alimentada pela arrancada tecnológica, pelo crescimento populacional explosivo e pela estabilidade econômica e social do pós guerra. Para o desenvolvimentista o problema dos engarrafamentos seria resolvido com mais viadutos e trincheiras; o lixo poderia ser exportado para locais longínquos e fumaça indicava progresso. Desenvolvimentistas não gostavam de sair da zona de conforto e sentiam alergias diante das profecias amarga dos ecologistas depressivos.

O ecologista apocalíptico e o desenvolvimentista predatório são inimigos irreconciliáveis. Felizmente, ambos estão com os dias contados. Não há lugar para nenhum deles no futuro e, se houver, provavelmente não teremos futuro. O positivismo dos desenvolvimentistas já cumpriu seu papel histórico. Não há razão para condenar essa visão de mundo sob uma perspectiva histórica. Da mesma forma, o ecologismo ranzinza e sombrio dos primeiros tempos foi uma etapa importante na formação da sociedade sustentável. O que não dá para conceber é a continuidade dessas linhas de pensamento, visto que são perspectivas cansadas que não dão conta dos desafios presentes. Está na hora de partirmos para a terceira via do positivismo ambiental.

O positivismo ambiental professa que temos um lugar nesse planeta, que estamos aqui por direito, mas como espécie dominante somos responsáveis por manter a ordem na casa. Positivismo ambiental é entender que a ciência e a tecnologia são os recursos mais poderosos que dispomos para criar uma sociedade sustentável; O positivismo verde confia em nossa capacidade de gerar soluções para proteger o meio ambiente e que as tecnologias ambientais são motores da nova economia, com capacidade de gerar emprego e renda. Positivismo verde é prático, eficiente e vai direto ao ponto, o que não impede de ser complementado por amor sincero à natureza.

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