Consciência ambiental no cotidiano
Porque me ufano de ser curitibano
O degrau zero da consciência ambiental é jogar o lixo na lixeira. Não adianta pensar em reciclagem, em belas lixeiras coloridas, uma para cada tipo de material, se as pessoas passarem ao lado delas e jogarem o lixo no chão. Lixo na rua traz poluição visual, mau cheiro, aumenta o trabalho dos garis, entope bueiros e inviabiliza a reciclagem. Parece óbvio, mas na prática a teoria é outra. No último domingo, o Fantástico da Rede Globo apresentou matéria sobre o comportamento de transeuntes que jogam lixo na rua. A equipe de reportagem do programa fez um teste que consistia em pesar o lixo lançado no chão durante o horário comercial no trecho de um quilômetro de uma rua movimentada. Eles contaram com a ajuda das empresas de limpeza pública de sete grandes capitais brasileiras.
Para minha alegria, Curitiba obteve o melhor resultado com 33 kg de lixo recolhido do chão. Em segundo, já bem distanciada, vem Goiânia com 203 kg. Em São Paulo, foram coletados 540 kg, no Rio de Janeiro 680 kg, em Belém 710 kg e em Fortaleza cerca de 1.000 kg. Salvador amargou o último lugar com 1.200 kg de lixo recolhido. As diferenças tão grandes entre cidades devem estar ligadas a muitos fatores: auto-estima da população, empenho da prefeitura, boa distribuição de lixeiras pelas ruas, organização dos recicladores, mobilização dos comerciantes e por aí vai. Se Curitiba ficou bem na foto, isso não quer dizer que atingimos a perfeição na destinação do lixo. Nas ruas de Curitiba é comum encontrar lado a lado duas lixeiras: uma para o material orgânico e outra para os recicláveis. É uma evolução em relação à lixeira única, mas ainda temos poucas lixeiras coloridas que permitem uma classificação mais avançada do lixo. Nas praças de alimentação dos shoppings, por exemplo, dificilmente se encontra mobiliário para descartar corretamente as sobras do lanche. Geralmente, o que se tem é a lixeira única. Não se vê um ralo para drenar líquidos nem lixeiras separadas para plástico, metal e papel. Aqui em Curitiba, apenas na sede do SESI eu vi a coleção completa de seis lixeiras coloridas como recomenda a melhor prática de coleta. Pelo certo devíamos estar pensando na limpeza do planeta, mas ainda estamos na fase de limpar as ruas.
Assista a reportagem do Fantástico.
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Radamés em 09/27/2010 às 12:16, e está arquivado em Comportamento. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |












