Consciência ambiental no cotidiano
Produto eco pode ser eco-enganação
Eu circulava pelo escritório quando deparei com uma embalagem de copos descartáveis plásticos marca Ecocoppo. Mas que raio de copo ecológico é esse? perguntei. Na embalagem dizia que o produto é feito com resina 100% virgem de polipropileno, ou seja, são copos para lá de antiecológicos. Por que, então, chamaram a minha atenção se na embalagem não havia nenhuma referência a qualidades ecológicas do produto. A embalagem não era verde e não exibia palavras mágicas como sustentável, verde ou protege o meio ambiente. Sim, criei a associação graças ao prefixo eco no nome do produto.
Provavelmente, o ecocoppo não é um caso de eco maquiagem, mas atualmente esse prefixo de três letrinhas devia ser usado com critério, pois tem potencial para confundir o consumidor e melhorar as vendas do produto. Comprar produtos eco é bom para a consciência além de ser chique. O problema é que não existe regulamentação para uso desse rótulo. O prefixo eco está desprotegido contra o uso indevido, assim como seus colegas light e diet no passado antes de terem seu uso regulamentado.
Para ter direito de usar o prefixo eco as empresas deveriam provar que seu produto tem um impacto ambiental significativamente menor do que similares produzidos por métodos convencionais. Se adotássemos a lógica dos produtos light, poderíamos exigir que um produto eco tivesse impacto pelo menos 25% menor ao dos convencionais. Fora disso, o que temos é greenwashing, é enganação com propósito de pegar carona na onda ecológica se aproveitando da boa fé dos consumidores. Por esse ponto de vista o Ford Ecosport teria que mudar de nome. Trata-se de um carro bacana, mas que de ecológico não tem nada. Apenas oferece a possibilidade de o motorista alcançar belas paisagens naturais nos rincões longínquos. Vale lembrar que, nesse caso, atitude ecológica mesmo e que faz jus ao lado sport do conceito seria visitar tais paisagens a pé com uma mochila nas costas.
Com o tempo, os produtos eco serão regulamentados, tenho fé, embora reconheça que as métricas para certificar tais produtos sejam complexas. Por enquanto, o consumidor ecológico tem que ficar de antena ligada. Algumas dicas para identificar o eco-washing estão no site da ABNT. Espero que rapidamente possamos escapar dos falsos ecos que estão por aí e que só me fazem lembrar uma tal de feijoada light.
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Radamés em 09/27/2010 às 20:48, e está arquivado em Consumo. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |










