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O vazamento de petróleo pelo poço da British Petroleum no Golfo do México foi citado na imprensa insistentemente como o pior acidente ecológico com petróleo na história dos Estados Unidos. Como se acidentes ecológicos dessa dimensão respeitassem fronteiras nacionais! Como se o problema fosse apenas de uma multinacional inglesa e do país que gosta de posar na condição de exemplo para os outros.

A tragédia ecológica com o poço da BP em 2010 mostra os riscos que esse tipo de exploração apresenta. O Brasil está se articulando para iniciar a extração do petróleo da camada pré-sal. Será que por aqui estamos imunes a acidentes da magnitude do que aconteceu no Golfo do México? O petróleo da camada pré-sal repousa há milhões de anos nas profundezas da terra, soterrado por densas camadas de rocha, sal e água do mar. Mesmo com os desafios técnicos enormes, a Petrobrás quer tirar esse petróleo de onde ele jaz silencioso. Caminhamos para o final da era do petróleo, temos vento para mover usinas eólicas, temos sol para gerar energia elétrica, temos know-how e vocação para liderar a indústria do biocombustível, temos auto-suficiência em petróleo. Mesmo assim, uma fome incontrolável por poder econômico move a Petrobrás na direção dos poços marinhos profundos.

O grande desastre do Golfo é um argumento a mais contra a civilização do petróleo, argumento que será solenemente ignorado porque Deus é brasileiro, a Petrobrás pode dar aulas de segurança à BP e acidentes assim nunca acontecem em águas brasileiras.

No Brasil nunca teremos vazamento de petróleo em águas profundas, certo?, 4.2 out of 5 based on 5 ratings