Austrália quer reduzir aquecimento global exterminando camelos

A Austrália é um país com vários problemas ambientais. Sua matriz energética é baseada principalmente na queima de combustíveis fósseis como carvão e petróleo. Para compensar suas elevadas emissões de carbono o governo estuda uma saída polêmica que tenta abater dois camelos com uma só cajadada. Não, não errei na digitação, embora os coelhos também sejam uma praga na Austrália, as armas desta vez estão apontadas para os camelos. Fizeram cálculos e concluíram que um camelo emite por ano cerca de 45 kg de metano em seu processo digestivo, ou seja, o camelo come capim por um lado e solta pum de metano pelo outro. O metano causa mais aquecimento global do que o gás carbônico. Pronto, era o pretexto que faltava, sobrou para os camelos australianos.

Desde 2009 o governo australiano incentiva o extermínio de camelos, mas agora quer que a matança renda créditos de carbono para o país. A empresa que propôs a ideia argumenta que o país estaria eliminando fontes de metano. Haja oportunismo. Primeiro introduziram a espécie exótica no país e deixaram os animais à vontade para crescer e multiplicar causando grandes estragos no ecossistema local. Agora querem lucrar com esse descaso vendendo créditos de carbono e recebendo turistas do mundo inteiro convidados a caçar os pobres animais.

Os camelos foram introduzidos no continente a partir de 1840 para auxiliar na colonização do Outback, o sertão desértico australiano. Com o advento dos veículos motorizados, os camelos foram libertados por seus donos e começaram a se reproduzir descontroladamente. Calcula-se que exista atualmente mais de um milhão de animais espalhados pelo país. O ecossistema australiano tem característica que permitem a proliferação rápida de várias espécies exóticas como coelhos e raposas, além dos camelos. Até a população de cangurus, nativos do local, está fugindo ao controle por causa dos desequilíbrios do ecossistema.

O que fazer com os camelos e outras dezenas de espécies exóticas introduzidas na Austrália durante a colonização? Nesse caso, ambientalistas e caçadores estão do mesmo lado. Os dois grupos querem o fim dos animais, mas ninguém acredita que com os métodos atuais essas espécies serão exterminadas na Austrália. O máximo que se pode alcançar é uma redução populacional a níveis toleráveis. Isso obrigaria um processo contínuo e custoso de abate incentivado que se estenderia indefinidamente. Além disso, é difícil aproveitar as carcaças dos animais abatidos para uso industrial.

Parece uma contradição, é chocante, mas caçar animais selvagens nesse contexto pode ser tolerável em nosso tempo de escassa consciência ambiental. Quem sabe no futuro, seja possível um manejo mais eficiente e menos sinistro do que eliminar animais.

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