Geoengenharia do bem

Ideias para conter o aquecimento global não faltam. Uma das propostas que corre por aí é a de lançar na órbita da terra milhões de espelhos para que eles reflitam a luz do sol evitando sua entrada na atmosfera e, dessa forma, amenizando o efeito estufa. Esta é uma das propostas da geoengenharia faraônica que faria a felicidade de algum consórcio multinacional encarregado de operar o serviço. O custo de um projeto desse porte ficaria na casa dos trilhões de dólares e nem faço ideia de como seriam resolvidos os entraves diplomáticos para sua execução. Quem tem jurisdição sobre o aspaço, afinal? É um daqueles projeto que atacam o sintoma enquanto que a causa primária, a emissão de CO2 continuaria avançando sem freios.

A poderosa indústria de espelhos espaciais, provavelmente, faria lobby para impedir a redução das emissões, afinal, quanto mais CO2 for para a atmosfera, mais espelhos serão necessários. Chegaria o dia em que os espelhos começariam a mudar a cor do céu, alterariam o regime de chuvas no planeta e a estratosfera passaria a ser mais um lugar repleto de lixo, mas esses problemas todos ficariam para administrações futuras. Decididamente, essa geoengenharia predatória só interessaria a empreiteiros gananciosos, mas será que existe uma geoengenharia do bem?
As propostas da geoengenharia variam muito dependendo da ideologia que está por trás delas. Em um extremo temos a linha desenvolvimentista que não quer mudar hábitos, não quer reduzir consumo e sonha com intervenções drásticas em escala planetária. Existem, por outro lado, propostas menos agressivas que vão pelo caminho do combate às causas do problema, da redução do consumo e do respeito à complexidade do nosso sistema ambiental. Vou um exemplo de solução para o aquecimento global com menor impacto e menor custo: reflorestamento. Simples assim. Árvores seqüestram carbono da atmosfera; podem ser manejadas para fornecer matérias primas para a indústria; detêm a erosão do solo; protegem encostas e as margens dos rios. Melhor ainda se o reflorestamento for feito com espécies nativas para a recuperação de ecossistemas degradados. O reflorestamento não vai competir com a agropecuária se investirmos em tecnologia para melhorar a produtividade da lavoura. Além disso, a agricultura pode também contribuir no combate ao aquecimento global. O plantio direto pode funcionar como parte de um mecanismo de seqüestro de carbono e, da mesma forma, o tratamento do solo com carvão vegetal.

As propostas da geoengenharia precisam ser assimiladas com senso crítico porque a tecnologia não é neutra e a mãe terra reage segundo suas leis.

Crédito de imagem: newscientist.com

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