Recicle se for capaz

Reciclar exige consciência e muita paciência. Cada tipo de resíduo requer um processamento diferente. Para aluns tipos, a reciclagem já alcançou um estágio avançado de maturidade. É o caso do alumínio, que no Brasil apresenta a maior taxa de reciclagem do mundo. Outros tipos ainda são um desafio para quem quiser destiná-los corretamente. Veja alguns casos:

  • Eletrodomésticos com carga de CFC. Refrigeradores e aparelhos de ar condicionado mais antigos podem estar carregados com gás CFC que é aquele fluido de refrigeração que destroi a camada de ozônio. Esses aparelhos devem ser reciclados por uma empresa idônea que recolha o gás CFC antes de desmontar os aparelhos e que faça seu tratamento para neutralizar o risco para a camada de ozônio.
  • Inseticidas, pesticidas e venenos. Agricultores usam inseticidas na lavoura e conhecem os procedimentos para descarte das embalagens desses produtos. Em casa algumas pessoas mantem esses produtos para combater pragas e roedores. O descarte tanto das embalagens vazias como de produtos vencidos é uma grande dor de cabeça para a qual dificilmente algum município está preparado. Mas pensando bem, quem realmente precisa dessas coisas em casa? Talvez métodos biológicos e naturais resolvam o problema.
  • Isopor. O isopor é muito utilizado em embalagens de produtos frágeis como eletro eletrônicos. Embora seja um plástico reciclável, o isopor não agrada os recicladores porque tem pouco peso para muito volume. No futuro, os lojistas levarão o isopor de volta depois de entregar o produto na sua casa, mas por enquanto a dica é evitar ao máximo adquirir produtos embalados em isopor.
  • Lâmpadas fluorescentes. Elas são mais econômicas e duráveis, mas um dia param de funcionar. Não devem ser quebradas para não liberarem mercúrio. A destinação correta é devolvê-las inteiras ao fabricante. O difícil é encontrar pontos de coleta para esse tipo de resíduo.
  • Latas de spray. A embalagem de aerossol é feita de metal reciclável. O problema é a lata descartada com parte do produto e gás propelente. Se for aquecida, essa lata pode explodir causando sérios acidentes, por isso, as latas de spray devem ser consumidas até o fim e descartadas sem nenhuma pressão. Vale lembrar que muitos produtos como desodorantes são vendidos em outros tipos de embalagem menos problemáticas e mais baratas.
  • Pilhas e baterias. A reciclagem desses produtos a cada dia mais usados na casa moderna deve ser feita por empresas especializadas e os fabricantes são co-responsáveis. Ao consumidor cabe a tarefa de encontrar um ponto de coleta para levar suas pilhas e baterias gastas.
  • Remédios. Sobras de medicamentos são um tipo de resíduo muito complexo e geralmente perigoso. A coleta especial de resíduo hospitalar funciona em algumas cidades mas é restrita a hospitais. O ideal é comprar medicamentos na quantidade certa que será ministrada. Existem programas sociais em algumas cidades para troca de medicamentos no prazo de validade. A situação ideal mesmo vai acontecer no dia em que as farmácias venderem os medicamentos fracionados na quantidade exata receitada pelo médico.
  • Tinta. Sobras de tinta são recicláveis, mas a logística para recolher esse material e enviá-lo ao fabricante ainda não está montada no Brasil e, por isso, o consumidor tem que tomar outras providências. A primeira é calcular bem a quantidade para só comprar o que for consumir. Se mesmo assim sobrar tinta na obra, procure doar ou passar adiante as latas para que alguém utilize o produto enquanto ele ainda está no prazo de validade.

A reciclagem de resíduos é uma cadeia produtiva complexa em que o consumidor consciente é o primeiro elo. Infelizmente, há muitos elos faltando nessa cadeia.


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Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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