Dinheiro por sua lata velha

O que é melhor para o meio ambiente: usar os bens duráveis até não dar mais ou enviá-los para a reciclagem assim que se tornarem obsoletos? Ecologista que se preza anda com uma calculadora no bolso. Só assim, é possível responder a perguntas como essa que sempre aparecem em nosso dia a dia. Para decidir corretamente a hora de trocar um bem durável obsoleto é preciso manter-se afastado dos extremos. Em um deles está o consumismo e no outro a avareza. Como diria Aristóteles, a virtude está no meio.

Um bom exemplo de aparelho que fica obsoleto em tempo recorde é o telefone celular. Em parte, isso se deve ao dinamismo da indústria que tem criado aparelhos cada vez mais sofisticados a cada ano. Nem dá para comparar os tijolões cinzentos da década de 1990 com os estilosos smartphones de hoje, mas essa evolução não justifica a troca acelerada dos aparelhos. As pesquisas mostram que, em média, o consumidor troca de celular a cada 18 meses. O troca-troca de aparelhos resulta de uma combinação desbalanceada entre evolução acelerada e consumismo.

Vamos agora para o extremo oposto da escala: os automóveis. O carro é um bem de alta liquidez, ou seja, facilmente pode ser negociado e convertido em dinheiro. Em função disso, os automóveis vão passando de mão em mão e permanecem em circulação por muito tempo desde que saem da concessionária, tempo demais, para dizer a verdade. Eles só vão para o ferro velho quando já estão em avançado estado de decomposição. Carros velhos têm péssimo rendimento energético e chegam a consumir o dobro do que um modelo novo com melhor tecnologia. Isso vale inclusive para raridades bem conservadas. Se a frota de automóveis não se alterasse, cada vez que uma lata velha saisse de circulação, um carro novo deveria sair da fábrica. Essa substituição consome recursos materiais e energéticos, mas é justificada pela economia de combustível e de manutenção.

Em resumo: na visão ecológica os bens duráveis devem ser substituídos por versões mais modernas sempre que isso trouxer economia de recursos ambientais. A substituição de bens ambientalmente incorretos será um dos motores da economia nas próximas décadas. O foco dessa substituição em massa vai se fixar em bens que consomem muita energia como carros, aparelhos de ar condicionado, geladeiras, etc. Até imagino as propagandas anunciando programas de governo: Dinheiro por sua lata velha!

Veja também: Simulador de consumo de energia em Excel

Cadastre os aparelhos e deixe o Excel calcular o consumo previsto de energia para sua casa, escritório, loja, condomínio, empresa, etc. Você pode criar várias unidades de consumo, cada uma com vários cenários. Assim, você verifica se o seu consumo está dentro do previsto, pode testar o impacto de uma reforma ou troca de aparelhos ou até estimar o gasto de uma unidade que ainda vai ser construída. Faça o download da versão grátis.

Assista ao vídeo para conhecer o funcionamento da planilha.

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