Quem precisa de carro flex?

Em um mundo ecologicamente perfeito não haveria carros flex. Pensando bem, nesse mundo não haveria automóveis, mas vamos manter o pé na realidade e entender os prós e contras do carro flex. No Brasil, flex é o carro bicombustível que roda com álcool hidratado, com a gasolina nacional (que tem 25% de álcool) ou com a mistura em qualquer proporção desses dois combustíveis. Álcool e gasolina têm propriedades diferentes e cada um precisa de uma regulagem própria do motor para alcançar o melhor rendimento. Os carros flex fazem algumas regulagens automaticamente para se adaptar à mistura presente no tanque. A diferença mais importante em termos de regulagem, porém, é a taxa de compressão. Ela deve ser mais alta para o álcool, mas os carros flex não têm regulagem dinâmica da taxa de compressão do motor. Em vez disso, usam uma taxa intermediária fixa. A conseqüência é que o motor flex não fica na regulagem ideal nem para álcool, nem para gasolina e rende menos do que carros com motores mono combustível equivalentes. Só para exemplificar: a Saveiro total flex 1.6 faz 8,7 km/l com álcool. A Saveiro 1.6 a álcool de 1986 fazia 10,67 km/l. Parece piada, mas no Brasil tem carro velho rendendo mais do que carro novo cheio de tecnologia.

Se o carro monocombustível é melhor em consumo e potência, por que os carros flex, vendidos desde 2003, fazem tanto sucesso? Quando o consumidor adquire um carro flex está pensando em duas coisas: abastecer sempre com álcool e ficar calçado caso haja um rebuliço no mercado e o álcool fique muito caro ou venha a faltar nas bombas. O motorista quer usar apenas álcool em seu carro flex, pois acha que vai economizar uma boa grana. Na maioria dos casos a economia acontece mesmo, mas não dá para ter certeza antes de fazer as contas. Nem sempre a diferença de preço entre álcool e gasolina está favorável. Além disso, é preciso considerar que um carro monocombustível renderia bem mais. Em alguns momentos, abastecer um flex com álcool sai mais caro do que abastecer um carro a gasolina equivalente, mas o consumidor nem percebe porque o cálculo é enjoado de fazer. Enfim, os brasileiros querem sempre abastecer com o combustível mais barato. Lei de Gerson. A indústria automobilística tem interesse no carro flex porque dessa forma oferece duas opções ao consumidor e investe em apenas um projeto. O país sai prejudicado, pois o consumo geral de combustíveis poderia cair mais de 10% caso a frota fosse apenas de carros mono combustíveis eficientes.

Os carros flex se justificam em um país que está diversificando a sua matriz energética e ainda não conseguiu montar uma cadeia produtiva estável para seus combustíveis. Nos EUA, por exemplo, dos 170.000 postos existentes, em torno de 2.000 apenas oferecem álcool combustível. Lá, os carros flex fazem sentido, não para o consumidor economizar dinheiro, mas simplesmente para que consiga abastecer o carro. Nossa realidade é outra. Estamos evoluídos na questão dos bio combustíveis, produzimos mais álcool do que gasolina. Nossa aposta no álcool começou há mais de trinta anos. Aqui, combustível alternativo é a gasolina, o álcool está disponível em quase todos os postos e a indústria desse combustível é sólida. O mercado oscila, é verdade, mas será que nós que produzimos petróleo e álcool, precisamos do carro flex para regular os preços? Eu, que já tive vários carros 100% a álcool e nunca fiquei na mão mesmo nas manhãs frias de Curitiba, gostaria de vê-los novamente a venda. São mais econômicos, mais ecológicos, mais brasileiros.

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13 pensou em “Quem precisa de carro flex?

  1. O Carro flex realmente é um lixo !!!
    Nota-se que trata de uma adaptação mal feita por brasileros, povinho de merda…
    Podemos comprovar facilmente que o carro flex é um lixo da seguinte maneira: Quando o motor estiver frio, e o tanque estiver abastecido com gasolina, e o proprietário resolver andar com seu carro frio, o combustível sofre o processo de detonação, devido a altíssima taxa de compressão do combustível !
    Isso pode ser notado facilmente quando o veículo tem de encarar um subida leve !!! A detonação é uma prova evidente e clara da péssima construção e engenharia de um veículo flex !!!
    Um outro exemplo: O honda Fit, dos anos de 2003 a 2006 mecânico e de 2003 a 2008 automático são os veículos mais procurados no mercado devido a sua ótima autonomia de combustível ! Já o mesmo carro flex é um lixo !!!! O mesmo veículo no Japão, possui a mesma autonomia do antigo modelo do Fit. Então alguém mais vai acreditar na merda que é o veículo Flex ? Coisa de brasileiro….

    1. Se levarmos em conta dados técnicos, a taxa de compressão do combustível Alcool, é muito mais alta se comparado a da gasolina. O sistema de gerenciamento eletrônico não possui tamanha flexibilidade a tal ponto de se adequar corretamente para os dois combustíveis. Acredito que os veículos bi-combustíveis podem ser considerados uma verdadeira “gambiarra” brasileira, como tudo que é produzido no país, é claro que existem interesses de “pessoas” e um loby enorme em torno do consumo de combustíveis seja mineral ou vegetal…

  2. realmente os veiculos flex ñ sao aquela grande coisas
    consomem mais combustivel
    comprei u carro zero pra ver se economizava
    mas ñ fiz grande coisa..ele faz 8,8km l com gasolina
    antes eu tinha um q funcionava so com gasolina e a mesma potencia de motor
    fazia 13,0 km lentao n~veja vantagem alguma nos carros flex!

  3. Infelizmente os veículos dito populares colocados no mercado brasileiro são em sua maioria FLEX. Fora os quesitos de segurança obrigatórios, minha maio preocupação sempre foi a economia de combustível. Para o uso diário tive um Mille Fire a gasolina, adquirido em 2003 e rodei 150.000Km, onde a média na cidade era de 13,5km/L sendo 18.5Km/L minha melhor marca em estrada.
    Hoje tenho um Ka-FLEX 2011. Retirei o veículo da concessionária e fiz uma viagem ao Sul rodando 4500Km só com gasolina, sendo sua média não ultrapassou 14km/L. Hoje, 11 meses depois o veículo tem 15.000Km e na cidade não passa de 12Km/L. Ambos com motores 1.0. Agora entendo do porque há uma diferença tão grande no desempenho de ambos com o mesmo combustível. É obviamente essa taxa de compressão média que faz com que o veículo também tenha um desempenho médio. Bem, alguém tem que consumir o petróleo de todos e o álcool dos usineiros. Apesar de prático, está aí a contatação do desserviço que essa tecnologia “de média” presta ao meu bolso, ao seu também, a nação e ao meio ambiente.

  4. Sem contar as peças e a manutenção q é muito mais cara, tenho um celta e não recomendo ninguem comprar flex, mas essas merdas tomaram conta . Só me ferrei por causa desse flex, só prejuizo, não vejo a hora de trocar esse meu celta. é uma verdadeira bomba, carro popular com valores de peças absurdo, propaganda enganosa q tem manutenção barata. CUIDADO PESSOAL!!!!

  5. Sempre disse não prestar desde o inicio do flex no brasil , assim como as medidas absurdas em cvs dos carros de hj em dia , Não troco meu gol 94 1.8 Ap Gasolina por porra nenhuma de carro novo .

  6. Lí agora esta matéria (com bastante atraso rs) pois estava a procura de informações sobre o tema e minha irritação com o meu carro flex (Cobalt 1.8 13/14, aproximadamente 8 Km/l à gasolina no transito urbano) é a mesma da maioria das pessoas… e minha dúvida é a seguinte: será que não é possível realizar um ajuste mecânico (ou “reprogramar” o carro como hoje tudo é na base da eletrônica) e fazê-lo atuar como monocobustível? Ou seja, eu não posso mecânica ou eletronicamente reprogramar os dados do carro para ele funcionar com máxima eficácia num determinado tipo de combustível (mesmo sabendo que se for necessário utilizar o outro tipo certamente a eficiência será bem menor neste do que com o ajuste “médio”)?

  7. Em verdade é a realidade o que apresentado, ou seja, o motor flex trabalha com uma taxa de compressão “média” entre as taxas própria de motores exclusivos a gasolina e a etanol. Flex para ser efetivo e econômico somente se tivesse o cabeçote móvel, que regulado segundo a leitura de uma sonda mergulhada no tanque a deixar a taxa de compressão exata para a mistura ou combustível único utilizado. O motor flex em realidade não o foi pensado para o consumidor, longe disto, foi sim pensado para os usineiros, assim quando o açúcar lá fora não tem valor competitivo então fabricam etanol e o utilizamos nos veículos quando com preço competitivo, ao contrário se o preço do açúcar tem valor elevado que supera o ganho com produção e venda do etanol no mercado interno, então os usineiros fabricam açúcar e deixam em desabastecimento o mercado interno de etanol e pronto e o consumidor consome gasolina, então em realidade o carro é flex para quem neste País? consumidores? ou usineiros? que sempre ganham, e o consumidor pensa que está levando vantagem…..
    meu Deus. Quem de mais idade lembra-se quando haviam carros com motores somente a alcool final da década de 80, quando os usineiros não cumpriram o acordo com o governo e produziram açúcar, deixando em desabastecimento os consumidores de veículos que na época eram apenas a etanol em maioria. Observem quão sórdidos o são os usineiros, evoluíram com o motor flex, ora sempre ganhando ou com o etanol vendido no mercado interno ou com o açúcar no mercado externo, se há desabastecimento hoje de etanol, o consumidor que use gasolina.

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