Recorde na produção de carros hoje será recorde de congestionamentos amanhã

No início da semana, assistindo o Jornal Nacional, vi duas matérias sobre automóveis que me fizeram pensar. Não que as matérias tivessem informação fora do comum, mas pelo fato de serem apresentadas na mesma edição do tele jornal, separadas por um intervalo de alguns minutos. Na primeira matéria, falava-se do problema do excesso de carros nos centros urbanos. Imagens de congestionamentos, fumaça preta saindo dos escapes, um transeunte de olhos vermelhos falou sobre a péssima qualidade do ar, bla bla bla.

Na segunda matéria, exibida alguns minutos depois, o assunto era o recorde na produção nacional de veículos. Felizes empresários do setor deram depoimentos sobre os excelentes resultados da indústria automotiva, a criação de empregos foi enaltecida, os ganhos com exportação foram lembrados, os benefícios para a vasta cadeia produtiva do setor foi valorizada, bla bla bla.

Não sei se a equipe do Jornal Nacional na correria da redação se deu conta do contraste entre as duas matérias que falam sobre o mesmo assunto: veículos motorizados. A primeira matéria, pessimista e sombria, conclama o telespectador a tomar consciência sobre o problema da motorização excessiva da sociedade. A segunda matéria joga areia na primeira, pois enaltece a produção de automóveis e todos seus benefícios econômicos.

Esse exemplo tirado do Jornal Nacional ilustra bem a ambiguidade em que vivemos nesse período de transição da sociedade desenvolvimentista para uma futura sociedade sustentável. Eu tenho carro e reconheço o direito de cada pessoa comprar o seu também, só que carro é um bem para ser usado com critério e terá que ficar mais na garagem do que na rua. Na sociedade sustentável os recordes comemorados são os de redução no consumo de recursos e de melhoria na qualidade de vida sem agressão ao ambiente. Não dá para viver no século XXI com os valores da época do presidente JK que trouxe a indústria automobilística para o Brasil. Aposto que o saudoso presidente Juscelino, um homem de visão, se estivesse vivo, estaria apoiando a construção de uma sociedade sustentável.

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Assista ao vídeo e reflita sobre o sentido mais amplo do minimalismo.

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