Uma bicicleta a mais, um carro a menos

Senhores motoristas, antes de dizerem que bicicletas atrapalham o trânsito lembrem dessa fórmula simples: uma bicicleta a mais é um carro a menos na rua. Alguns podem argumentar: “ah, duvido que ciclistas sejam ex-motoristas.” Bem, se não eram podem vir a ser futuros motoristas, caso continuemos a matar, mutilar e inviabilizar a circulação dos ciclistas.

Quem acompanha o noticiário deve ter percebido que as iniciativas para aumentar o uso da bicicleta estão acontecendo simultaneamente a um aumento da brutalidade contra os ciclistas. Quase diariamente vemos notícias de ciclistas mortos ou feridos pela imprudência de motoristas que se acham donos da rua. Já pensei em ir trabalhar de bicicleta, mas quando faço mentalmente o trajeto de casa até o serviço me vem à cabeça os riscos que terei que enfrentar diariamente. Se alguns motoristas não têm paciência comigo quando dirijo meu dentro dos limites de velocidade imagine como tratam quem está sobre duas rodas.

Ser ciclista hoje em dia não é apenas uma atitude ecológica, mas também um ato de bravura. A luta dos ciclistas por seu espaço pode ser comparada a outras campanhas do passado em que as pessoas tiveram que lutar por seus direitos e alguns pagaram alto preço por defender suas posições. As cidades não estão preparadas para que os ciclistas circulem com seguranças e entre os motoristas ainda é muito rasa a consciência de que o ciclista tem direito a circular e, mais que isso, deveria ter prioridade no trânsito já que a bicicleta é um meio de transporte ecológico, saudável, seguro e que descongestiona o trânsito.

A regra é simples, o pedestre vem antes do ciclista e este vem antes do motorista. Por que é assim? Por que a vida é o bem maior e a preferência é de quem está mais vulnerável. Com o tempo, os motoristas terão que ceder espaço às bicicletas. Essa convivência vai melhorar o transporte urbano. As bicicletas devem ir além das ciclovias e se elas “invadirem” as ruas dominadas por automóveis o trânsito tende a melhorar em todos os sentidos. Menos poluição, melhor forma física, menos tempo gasto nos deslocamentos. Para isso acontecer, o poder público tem que viabilizar as bicicletas, mesmo que elas rendam menos IPI e os motoristas têm que ceder espaço para as bikes, afinal, quem está no volante hoje pode estar pedalando amanhã.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

1 pensamento em “Uma bicicleta a mais, um carro a menos”

  1. Não importa se o ciclista é motorista ou se possui um carro em casa. Tem que ser respeitado porque: 1) acima de tudo, é um ser humano; 2) tem o direito, sagrado para muitas pessoas, de ir e vir e, por estarmos em um país livre, de ir e vir do jeito que lhe convier (desde que dentro da lei); 3) se ele tem um carro, pode ter optado pela bike naquele dia ou pode transformar a bike em seu meio de transporte cada vez mais frequente; 4) a nenhum idiota é dado direito de xingar outra pessoa.

Sua opinião me interessa.