Os riscos da monocultura urbana

A prefeitura do Rio de Janeiro resolveu dar combate a um problema típico das grandes cidades: a concentração de alguns setores do comércio em ruas e áreas urbanas específicas. No Rio de Janeiro o problema identificado pela prefeitura é o grande número de agências bancárias e farmácias em ruas do Leblon como a Visconde de Pirajá. Essas ruas são consideradas de interesse cultural e histórico e, por isso, a prefeitura quer dar mais diversidade ao uso dessas áreas. O subsecretário do Patrimônio Cultural do Rio Washington Fajardo promete criar entraves de agora em diante à criação de novas agências bancárias e farmácias na região. Alguns setores acham que a ideia é uma intervenção abusada da Prefeitura em questões que devem ser reguladas pelo mercado. Há quem diga, por outro lado, que essas intervenções são justificadas pelo interesse público.

Se eu tivesse que tomar partido na questão diria que sim, é justificável regular a atividade empresarial para evitar que espaços urbanos sejam tomados pela monocultura de comércio e serviços. Do ponto de vista da sustentabilidade ambiental, os espaços dominados por atividade única devem ser evitados, pois na maioria dos casos subutilizam a infra estrutura urbana e aumentam os deslocamentos urbanos. Vamos explicar melhor: uma rua onde predominam agências bancárias tem movimento intenso no horário comercial e fica deserta assim que os bancos fecham. É um desperdício de infra estrutura de serviços. Se em vez de uma fileira de bancos a rua tivesse uma atividade econômica variada continuaria viva e frequentada fora do horário bancário. Ruas desertas geram problemas de segurança, deixam a cidade sombria e desperdiçam recursos públicos. Além disso, se todas as agências bancárias se concentrarem em uma única rua as pessoas terão que vir de pontos variados da cidade para tratar de seus compromissos bancários. Agências espalhadas pela cidade e perto das pessoas reduzem deslocamentos.

A regra não é geral. Em alguns casos, a concentração pode ser benéfica. Aqui em Curitiba também temos exemplos de ruas de atividade única. Aqui há uma rua ocupada pelas concessionárias de automóveis, outra repleta de lojas de produtos eletrônicos e também existe uma tomada por lojas de móveis. Nesses casos, a concentração reduz deslocamentos. Explicando: quando vai comprar um sofá o cliente quer ver alguns modelos, pesquisar preços, sentar no sofá, etc. Se as lojas estiverem próximas umas das outras, fica prático encontrar a melhor oferta. Seria ruim ter que percorrer a cidade inteira para visitar várias lojas.

Concentrar serviços ou pulverizá-los? A decisão não é simples. É preciso zelar pelo equilíbrio nessa questão. Brasília, a cidade modernista foi concebida para uma forte concentração de serviços. No planto piloto de Brasília existe um setor de hotéis, um setor de escritórios, um setor bancário. Vamos lembrar, entretanto, que Brasília foi construída no período áureo do desenvolvimentismo, época em que se imaginava que todos circulariam motorizados e vencer grandes distâncias diariamente não seria um problema de qualidade de vida.


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Agrada-me a idéia de pensar a cidade como um ecossistema. Por essa perspectiva eu diria que áreas de monocultura oferecem bem mais problemas do que as áreas urbanas ricas em biodiversidade.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

Um pensamento em “Os riscos da monocultura urbana”

  1. precisamos de um resumo de “MONOCULTURA”
    como é feito o processo ?
    o que podemos fazer pra acabar com ele ?
    significado ?
    como esse processo é criado ?
    em que local é mais encontrado ?

Sua opinião me interessa