Poluição do ar é coisa de pobre

A cidade com o ar mais poluído é Ahvaz no Irã, seguida por Ulan Bator, capital da Mongólia, e por Sanandaj também no Irã. Considerando as 50 cidades com pior concentração de material particulado, observamos que a maioria está localizada na Ásia (47) e três estão na África. Os dados são da OMS (Organização Mundial de Saúde) que divulgou seu relatório 2011 sobre a poluição do ar em mais de 1000 cidades ao redor do mundo.

Dezessete áreas brasileiras constam no relatório.  A lista a seguir mostra a posição das cidades brasileiras no ranking mundial e a concentração média anual de material particulado de cada uma.

  • 145 – Região Metropolitana do Rio de Janeiro (64 μg/m³ PM10)
  • 204 – Baixada Santista que inclui Cubatão em SP (48)
  • 269 – Região Piracicaba/Capivari/Jundiaí em SP (39)
  • 270 – Região Metropolitana de São Paulo (38)
  • 362 – Região Metropolitana de Curitiba (29)
  • 385 – Região Tietê/Sorocaba em SP (28)
  • 386 – Região de Turvo/Grande em SP (28)
  • 387 – Região Pardo em SP (28)
  • 393 – Região Médio Paraíba no RJ (28)
  • 412 – Região Tietê/Jacaré em SP (27)
  • 432 – Região Baixo Tietê em SP (26)
  • 534 – Betim em MG (22)
  • 575 – Região Paraíba do Sul em SP (21)
  • 576 – Região do Peixe em SP (21)
  • 615 – Belo Horizonte em MG (20)
  • 730 – Ibirité em MG(18)
  • 831 – Região do Pontal do Paranapanema em SP (16)

O relatório surpreendeu alguns brasileiros que não esperavam ver o Rio de Janeiro encabeçando a lista nacional. Da minha parte, fiquei surpreso ao ver minha cidade, Curitiba, na quinta posição, mas antes de lamentar ou comemorar os dados da OMS é preciso entender as limitações desse relatório, que não são poucas. Para começar, é pequeno o número de cidades do mundo que aparece no relatório. Ele não tem abrangência suficiente para estabelecer um ranking ideal, o que não lhe tira o mérito, pois é um esforço no sentido de melhorar o acompanhamento da poluição do ar no mundo.

Partículas. O relatório da OMS foca na quantidade de material particulado suspenso no ar que é apenas um dos itens que definem a qualidade do ar. Há outros poluentes pairando no céu como os óxidos de enxofre e de nitrogênio, o monóxido de carbono, partículas inaláveis e ozônio. Partículas sólidas suspensas existem em todo lugar, inclusive nos mais intocados santuários naturais. O problema são as partículas produzidas pela ação humana poluidora como as que saem da chaminé das fábricas e do escapamento dos automóveis. São essas partículas que causam problemas de saúde e elevam a concentração no ar para mais de 20 μg/m³ 10PM, nível máximo recomendado pela OMS.

Monitoramento. Por mais constrangedor que seja aparecer no topo da lista das cidades com ar mais poluído, há um crédito que precisa ser dado às autoridades de Ahvaz: nessa cidade existe monitoramento. Alguém mantém os aparelhos de medição, processa os dados e os disponibiliza para a OMS. Certamente, pelo mundo afora existem outras cidades tão poluídas ou mais do que Ahvaz, mas que sequer medem sistematicamente seus níveis de poluição. No Brasil, o destaque em monitoramento fica para o estado de São Paulo que por meio da CETESB acompanha a qualidade do ar em todas suas regiões.


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Pontos de medição. Analisando o relatório da OMS observamos que existem grandes diferenças na qualidade do monitoramento do ar. Ahvaz conta com apenas uma estação para medir a poluição do seu ar; a região metropolitana do Rio de Janeiro conta com 11 estações e Seul, capital da Coreia do Sul, mantém 40 pontos de monitoramento. Observando a quantidade de pontos de medição por país vamos perceber que o desenvolvimento econômico influencia a qualidade do monitoramento. Os EUA são os recordistas em pontos de medição com 728 estações de acompanhamento espalhadas pelo país. As cidades americanas se concentram no final da lista da OMS, ou seja, apresentam melhor qualidade do ar embora estejam em um país altamente industrializado. Isso confirma a tese de que o desenvolvimento econômico influencia a qualidade do ar. Em países ricos a legislação ambiental é mais severa, a tecnologia está mais adiantada e o monitoramento é mais rigoroso. Em bom português: poluição do ar é coisa de pobre.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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