Cidade das artes e das ciências de Valência

Após a enchente de 1957 o curso do rio Turia foi desviado para que suas águas não passassem mais pelo centro de Valência. No antigo leito do rio foi construída a Cidade das Artes e das Ciências, um complexo urbanístico e arquitetônico destinado ao entretenimento e à cultura. O projeto da maioria das construções foi entregue ao engenheiro civil natural de Valência Santiago Calatrava, que na época já gozava de prestígio internacional. A primeira construção do complexo foi inaugurada em 1998, mas boa parte do projeto foi concluída já no século XXI. A Cidade tornou-se o destino de visitantes do mundo inteiro graças à concentração de atrações culturais além do espetáculo arquitetônico que, em si, já é bom motivo para a visitação.

Na Cidade, Santiago Calatrava mostrou que ainda é possível revolucionar a arquitetura. Dizem que ele promove o encontro da arquitetura com a engenharia. São famosas as suas pontes espalhadas pelo mundo. Na Cidade das Artes suas obras brancas se integram ao azul intenso do céu de Valência. A estrutura dos edifícios fica exposta, aliás, a estrutura nas obras de Calatrava é fundamental para seu projeto estético. Formas estranhamente orgânicas: um olho, uma baleia, uma ossada, uma concha? As construções de aço, concreto e vidro da Cidade surpreendem. Os prédios de Calatrava podem ser criticados como extravagantes e pouco funcionais, podem acusá-lo de não aproveitar bem os espaços, mas certamente ninguém há de ficar indiferente à criatividade das suas formas ousadas.

Fazem parte do complexo:

  • L’Hemisfèric. Planetário e cinema iMax.
  • El Museu de les Ciències Príncipe Felipe. Museu interativo de ciências.
  • L’Umbracle. Horto coberto.
  • L’Oceanogràfic. Aquário oceanográfico.
  • El Palau de les Arts Reina Sofia. Teatro de ópera e espaço de eventos.
  • El Puente de l’Assut de l’Or.
  • L’Àgora. Praça coberta.

A Cidade das Artes seria um parque temático da cultura? Talvez, o fato é que é raro encontrar pelo mundo afora  complexos que concentrem tantos espaços destinados ao lazer cultural e ainda de quebra sejam um primor arquitetônico.

Imagens no Flickr

Informações

Ciudad de las Artes y de las Ciencias de Valencia
Valência, Espanha
Arquitetos: Santiago Calatrava e Félix Candela
Inauguração do planetário em 1998

Localização Google Maps

Imagens do Wikimedia Commons

Pontes nos levam à ideia de superação. Do ponto de vista da arquitetura nos encantamos com a superação de obstáculos naturais, tecnológicos e estéticos. Gostamos de pontes que vencem grandes vãos, que se assentam sobre terreno inóspito, que se projetam a grandes alturas e que vão até os limites da técnica. Melhor ainda se além de tudo, se destacarem pela beleza. É o caso da Ponte JK (Juscelino Kubitchek) em Brasília. Com mais de 2.000 metros de extensão, vãos livres com mais de mais de 700 metros a pista dessa ponte pênsil parece flutuar sobre o lago Paranoá. Seus três arcos de aço sugerem os saltos em trajetória parabólica de uma pedra arremessada contra a linha da água. O posicionamento dos arcos transversais à pista e alternados entre si perturbam o olhar de quem espera a simetria monótona. Quem cruza a ponte em cada ponto da travessia se defronta com uma perspectiva inusitada. O estilo Niemeyer está presente: curvas suaves e sensuais, leveza, aço e concreto, vãos livres ousados, monumentalidade, assimetria controlada. Um projeto com as características da Ponte JK, com toda sua complexidade só foi possível, provavelmente, graças ao cálculo estrutural auxiliado por computador. É a informática dando asas para a imaginação dos arquitetos. A ponte não é a maior do mundo, nem tem o maior vão ou a maior altura, mas é forte concorrente ao título de mais bela.

About Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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