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om que saudade os mais velhos recordam da
Era do Rádio: A novela O Direito de Nascer com Paulo Gracindo, as
notícias da guerra, as rainhas do rádio. Outros suspiram pelos Anos
Dourados de Hollywood que nos deram Cary Grant, Katherine Hepburn,
Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Em breve, suspiraremos pela Era da
TV aberta. Sim, porque a TV aberta já não é mais aquela. Já vai
longe o tempo em que o Jornal Nacional imperava absoluto e o Roberto
Marinho era o quarto poder da República. Talvez ainda seja, mas o
Ibope insiste em exibir, ano após ano, números em queda para a TV
aberta, tanto que é visível o redirecionamento dos interesses das
emissoras. Um Ratinho não acontece por acaso. Ele evidencia o
interesse da TV aberta pelas camadas C e abaixo, numa TV, que antes
se dava ao luxo de só manifestar apreço pela classe média e acima.
E que era vem aí? Precisa dizer? Ah, como
vamos suspirar lembrando do primeiro mail, do primeiro chat. Nossos
netos vão rir quando falarmos que conhecemos a vovó numa sala de
bate papo, que a comunicação era via teclado e tudo vivia dando
problema: o PC, o provedor, a Embratel. ‘Mas o que é Embratel,
provedor e PC?’ perguntarão.
E o que esta conversa sobre mídia tem a ver
com Literatura? Mídia significa meio, e ao contrário do que dizia o
velho profeta Mc Luan, que o meio é a mensagem, eu acredito que o
meio é o meio e a mensagem é a mensagem. Só que a mensagem circula
através do meio e é condicionada por ele em maior ou menor grau. Os
escritores criam seus trabalhos para uma mídia específica, que foi
por séculos o livro. Mas as coisas estão mudando. Em função disso os
escritores precisam estar muito ligados na discussão sobre mídias.
Não dá para ficar deitado em berço esplêndido pensando que por toda
a eternidade a literatura vai ser veiculada em feixes de papel
impresso, que quem trata disso é um sujeito chamado editor, que tem
uma empresa chamada editora, que repassa os feixes de papel impresso
para uma empresa chamada distribuidora que espalha os feixes em
locais chamados livrarias e que na livraria aparece um sujeito
chamado leitor. A rápida ascensão e queda das mídias dominantes nos
mostra que as revoluções aconteciam espaçadas por gerações. Agora
estão acontecendo dentro de uma mesma geração. E o escritor terá que
ir onde o leitor está. Talvez em breve não esteja mais lá na
livraria. |
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