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Pelo segundo ano consecutivo o Enem gerou estresse para estudantes de todo o Brasil. Em 2009 houve cancelamento de provas por vazamento. Em 2010, erros de impressão prejudicaram uma parte dos participantes. Problemas desse tipo podem acontecer nas melhores instituições, mas poderiam ser minimizados se o MEC pusesse em prática o velho ditado que recomenda não colocar todos os ovos na mesma cesta. Quando se adota um modelo de centralização máxima com uma só prova por ano para milhões de alunos o risco de ocorrerem problemas aumenta exponencialmente e o custo para repará-los fica em níveis estratosféricos. O noticiário dos dias seguintes ao Enem 2010 foi dominado por desnecessárias críticas e polêmicas em torno do exame que só causam desgaste político para o governo. O Enem evoluiu desde que foi implantado em 1998 e tem que continuar melhorando. O próximo e urgente passo desse processo é a descentralização.

Como descentralizar o Enem? Criar várias edições do exame ao longo do ano é uma opção já adotada há anos pelo SAT americano, por exemplo. Provas distintas por região seriam uma alternativa para minimizar problemas com vazamento de provas. Como o Enem adota a metodologia da TRI (teoria da resposta ao item) não há problema em os alunos fazerem provas diferentes. Poderíamos chegar ao extremo de cada aluno receber uma prova única. É claro que essa possibilidade depende da formação de um grande banco de questões testadas e calibradas. Sob essa perspectiva poderíamos chegar à aplicação on-line das provas.

No mês passado fui ao Detran revalidar minha carteira de motorista. Agendei dia e horário de acordo com minha conveniência e fiz a prova no computador em um laboratório do Detran junto com outros motoristas. Respondi na tela 30 questões selecionadas do banco do Detran e imediatamente após finalizar a prova fiquei sabendo o resultado. Por que o Enem não poderia ser assim? É claro que seria preciso montar uma logística de aplicação com muitos computadores disponíveis, mas existem alternativas para isso. As escolas de Ensino Médio poderiam ceder seus laboratórios de Informática ao Inep para a aplicação das provas. Os alunos da escola contariam com a comodidade de fazer a prova na própria escola e a escola cederia as máquinas para que outros alunos também fizessem a prova on-line. Até a redação poderia ser digitada na tela e enviada diretamente para o Inep via Internet. A aplicação on-line poderia ser adotada progressivamente, seguindo o modelo trilhado pelas eleições eletrônicas brasileiros. Se somos um país com eleições 100% digitais, por que não podemos ter exames nacionais informatizados?