Entenda o mundo digital
Sete golpes digitais
Você só se torna um cidadão digital quando sofrer o primeiro golpe virtual. Nesta semana, tive a honra de passar pelo meu sétimo transtorno cibernético. Chique, não é mesmo? Alguém no outro lado do mundo usou meu cartão de crédito para voar pela Air Arabia. Felizmente, não tive prejuízo financeiro, mas perdi um bocado de tempo para trocar de cartão, estornar transações, migrar débitos automáticos, etc. Era um cartão com chip de um grande banco associado a uma grande operadora de cartões, ou seja, na teoria era muito seguro. Utilizo o meio digital há mais de dez anos e, nesse período, os golpes virtuais que sofri superaram de longe os danos em que fui vítima no mundo analógico.
Anos atrás um espertinho publicou um site clonado do meu onde vendia materiais didáticos digitais que eu tinha desenvolvido. Em outra ocasião, alguém assinava todo mês um provedor de Internet usando meus dados bancários no Itaú. Já pagaram boletos pela Internet usando minha conta na Caixa Econômica e sacaram dinheiro em caixa eletrônico em meu nome usando um cartão clonado do HSBC. Para completar, já invadiram meu site pessoal e substituíram minhas páginas por propaganda de um suposto movimento de libertação da Turquia. A variedade de golpes é grande e não sou uma pessoa descuidada. Talvez, o problema esteja em eu usar intensivamente os recursos digitais que estão à minha disposição.
Não contabilizei nessa conta de golpes meus problemas com direitos autorais. Se eu digitar trechos de textos meus no Google sempre encontro vários endereços que publicam meu trabalho intelectual descaradamente sem ao menos dar crédito. Comparando meu site pessoal a uma empresa eu não passaria de microempresário, talvez menos. Não passo de um vendedor de pipoca no mundo digital e já sou bastante plagiado. Imagine se eu fosse um escritor de sucesso. Já me aconteceu de um sujeito copiar 100% do meu site com objetivo de atrair tráfego para o site dele. Copiou o meu conteúdo e de muitos outros autores e criou um portal de conteúdo. Com certeza, o cara ganhou com publicidade um dinheiro que me cabia.
Não tenho esperança de que o ambiente digital vai ficar mais seguro no futuro. Pelo contrário, tende ficar mais selvagem, mesmo assim, prefiro os golpes digitais. Melhor alguém gastando em meu nome no Oriente Médio do que um assaltante apontando um revólver na minha cara.
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Radamés em 04/10/2010 às 12:50, e está arquivado em Mundo digital. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |



