Entenda o mundo digital
Artigos com o marcador leitura
Quatro maneiras de ler um bom jornal
04/10/10
Existem muitas maneiras de ficar bem informado. Digamos que você queira acompanhar um bom jornal diário como a Folha de São Paulo. Atualmente, existem quatro opções de acesso a esse jornal, cada uma com suas particularidades como veremos a seguir.
Folha de São Paulo impresso
Jornal impresso tem aquele formato grande, desajeitado e ruim de manusear. Dá para ler no sol, mas não no vento. Se alguém ler antes, provavelmente, você vai pegar as folhas bagunçadas. As dondocas de ambos os sexos dizem que jornal impresso suja as mãos. Dá para reusar como papel embrulho, o que é bom para donos de peixaria. Uma assinatura gera mais de trezentos quilos de papel reciclável de baixa qualidade por ano. Não tem sistema de busca, não dá para imprimir cópia e se você resolver guardar para pesquisa futura vai precisar de bastante espaço. Jornal impresso do dia traz as notícias do dia anterior, mas não fica off-line e é seu para sempre; tem conteúdos exclusivos e é chique andar na rua com um exemplar debaixo do braço. Quem assina a versão impressa tem direito às versões on-line. Investimento anual: R$ 592,00
iPad vai ser usado para leitura?
04/10/10
A Apple anunciou que passados 30 dias do lançamento do iPad já tinha vendido mais de um milhão de aparelhos. Além disso, os proprietários do gadget compraram 1,5 milhão de livros na loja da Apple. Isso dá uma média de 1,5 livros para cada iPad. Tá certo que os consumidores apenas começaram a explorar a tabuinha da Apple, mas vamos fazer umas contas de padeiro para ver se o gadget será usado para leituras. Se os compradores mantiverem esse padrão de consumo teremos ao final de 12 meses 18 livros em cada iPad. Supondo que os livros serão lidos, então o iPad será uma poderosa ferramenta para a disseminação da leitura. Por outro lado, pensando como um padeiro pessimista talvez essas compras iniciais sejam apenas para testar o produto. Ainda não dá para saber se o iPad será usado como leitor de livros digitais. Sinceramente, acredito que não será.
Todos os jornais pelo preço de um
02/10/10
A revolução digital está chegando para todas as coisas que envolvem letras depositadas sobre papel. O Kindle, badalado leitor digital da Amazon, serve para ler livros em formato eletrônico, mas vale lembrar que através dele também é possível assinar jornais, revistas e até blogs. Detalhes como esse são a ponta do iceberg que ronda o Titanic da indústria editorial. Basta deixar o Kindle ligado durante a madrugada para que pontuais ondas eletromagnéticas o abasteçam com notícias fresquinhas para ler no café da manhã. O mais interessante na proposta da Amazon é que o usuário faz assinatura múltipla, ou seja, pelo preço de um, o assinante leva vários jornais. Uma ideia como essa só pode ser colocada em prática por um gigante como a Amazon que tem condições de reunir grandes jornais em torno de um modelo de negócios totalmente novo. Tudo bem que já existem experiências similares para música, em que o usuário assina um serviço e pode ouvir todas as músicas do acervo.
Quantos livros de papel um Kindle substitui?
02/10/10
O Kindle, leitor de livros digitais da Amazon tem memória para armazenar 1.500 livros, logo este é o número de livros de papel que ele substitui, certo? Que bom se fosse simples assim. Vamos para o mundo real: são poucas as pessoas que leem 1.500 livros ao longo de uma vida. Basta fazer um cálculo simples: se o leitor conseguir ler um livro por quinzena, o que é uma média realista, vai levar 57 anos para dar conta da biblioteca contida em um Kindle. Ninguém sabe se o Kindle dura 57 anos, mas como trata-se de um aparelho eletrônico é sensato supor que sua vida útil média gira em torno de dez anos. Vamos levar em conta também que o Kindle é um bem de uso pessoal. As pessoas não compartilham seu leitor digital por aí, exceto bibliotecas que adquirem aparelhos para emprestar ao seu público.
Por que ser organizado se você tem o Google?
30/09/10
Todo mundo gosta de organização, embora muitos não ousem admitir publicamente esse gosto. A organização faz impérios. Não é uma beleza entrar no McDonalds sabendo que em poucos minutos seu sanduíche sem gosto estará na mão exatamente como da última vez? Poucas pessoas são organizadas e ninguém gosta de ser cobrado por desorganização. Eu gosto de organização e sou organizado, mas garanto que não tenho TOC (transtorno obsessivo compulsivo). Sempre vi essa minha facilidade para ordenar o mundo à minha volta como uma qualidade pessoal. Infelizmente, essa suposta qualidade está ameaçada de extinção. Tudo bem, não é a única qualidade obsoleta que coleciono. Percebi a futura inutilidade do senso de ordem quando li uma matéria sobre a ação promocional do Google chamada Ninjas do GMail.
O livro digital (e-book) vai devastar a indústria editorial?
30/09/10
Os formatos digitais de áudio como o MP3 levaram a indústria da música a uma séria crise. O mercado de filmes também está indo pelo mesmo caminho, pois ficou fácil copiar filmes pela rede sem ter que pagar por isso. Com esses precedentes era de se esperar que a indústria do livro também estivesse mergulhada em crise por conta dos livros digitais. O livro de papel, no entanto, parece imune até agora ao problema da cópia digital. Esse mercado segue um ritmo próprio e tem um histórico de perdas com a cópia ilegal causadas não pelo computador, mas pelas máquinas xerox. É sabido que próximo de qualquer faculdade sempre tem uma fotocopiadora próspera.
Ah, se o Kindle fosse da Apple
30/09/10
A Amazon lançou a nova versão do seu leitor de livros digitais: o Kindle 2. O primeiro modelo, lançado em 2007, foi um sucesso de vendas. Esse novo e-book reader vem com mais recursos e ganhou um visual mais simpático, embora ainda esteja longe do charme de um produto Apple.
Talvez você se pergunte: por que comprar um e-book reader se encontra os livros na Internet e pode lê-los na tela do computador? Sim, pode, mas o e-book reader é um aparelho pensado para a leitura. Sua tela com tecnologia de papel eletrônico propicia um conforto visual próximo ao de um livro convencional. O e-book reader pode ser lido no sol e em ângulos rasos de quase 180 graus. Além do mais, ele é portátil como um livro comum e pode ser usado no metrô ou na cama, por exemplo.
Sua casa sem papel
21/09/10
Calma. Não estou falando do papel higiênico, mas de revistas, correspondências, extratos, ou seja, de papel que armazena conteúdo. Muitas pessoas estão tentando viver sem esses papéis em favor do meio ambiente. O americano Brewster Kahle, citado pelo New York Times (leia), diz que escaneia suas contas de luz, telefone, extratos bancários e até livros. Ele armazena os dados em forma digital e depois passa seus papéis pela máquina de picotar antes de encaminhá-los para a reciclagem. Taí uma iniciativa pseudo-ecológica que pode melhorar bastante. O ideal seria se as empresas que enviam papéis ao senhor Brewster lhe entregassem documentos on-line. Eu cito duas empresas que já me oferecem essa opção: o HSBC e a American Express. Quanto à máquina de picotar papel, trata-se de mais um artefato para consumir matéria prima e energia elétrica. Dá para rasgar os documentos com as próprias mãos.
O livro de papel dura mais que o livro digital (e-book)?
18/09/10
O que dura mais: um livro de papel ou um e-book? Essa é uma pergunta que só o tempo vai responder. Nós já conhecemos o potencial do livro convencional para durar mais de cem anos. Quanto ao livro digital, há muitas dúvidas sobre a sua longevidade. Estranho, não é mesmo? O e-book é composto de bits o que o deixa imune a traças, umidade e mordidas do cachorro. Mas pense bem: imagine que você compra um Kindle 2, o badalado e-book reader da Amazon. Em seguida, você monta uma biblioteca digital de 1500 livros, todos comprados na loja virtual da Amazon, obviamente. Essa bela coleção digital vai durar tanto quanto uma biblioteca convencional? Para isso, acontecer, o seu Kindle precisa durar algumas décadas, ou então, será preciso trocá-lo por outro aparelho similar e compatível que venha a ser produzido no futuro. Se você trocar de leitor, terá que transferir os dados do aparelho antigo para o novo, o que só será possível se a Amazon existir como empresa daqui algumas décadas.
Livros digitais (e-books) são bons para o meio ambiente?
18/09/10
No Kindle 2, o e-book reader da Amazon, dá para armazenar cerca de 1.500 livros. Esse leitor de livros digitais substitui, portanto, uma estante grande de 2×3m repleta com quase uma tonelada de papel impresso. A comparação mostra que os leitores de livros digitais podem trazer grande vantagem ao ambiente. Usando o leitor digital economizamos a madeira da estante e o papel dos livros, duas matérias primas de alto impacto ambiental. Calma lá! Quando o assunto é impacto ambiental temos que ser mais rigorosos. A fabricação do e-book reader também consome recursos e gera lixo eletrônico no final da vida útil do aparelho. Uma estante com livros dura tranquilamente mais de cinquenta anos. Leitores eletrônicos, provavelmente, não alcançam essa longevidade e o usuário terá que trocar de aparelho algumas vezes ao longo de cinquenta anos. O e-book reader consome energia, pouca, mas consome e, no longo prazo, esse consumo pode ser significativo. Outro detalhe: boa parte dos usuários não vai usar o potencial de armazenamento do e-book reader. Quantas pessoas que você conhece possuem uma estante com 1.500 livros em casa? Como se vê, o cálculo não é simples e creio que ainda não existem dados para dizer se os e-book readers são tão fantásticos para o ambiente quanto parecem. O que temos no momento é uma intuição bem clara de que ele proporciona grande economia de papel impresso e logística de armazenagem.