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Produzir informação de qualidade não é fácil e custa dinheiro. É o que dizem os representantes dos grandes órgãos de imprensa e eu concordo. Para trazer informações sobre a guerra é preciso colocar um repórter no meio do tiroteio. Para trazer à tona um escândalo de governo é preciso investir em longas e complexas investigações. Para opinar sobre a conjuntura com propriedade é preciso ter uma formação sólida, acesso a fontes, credibilidade, etc. Estamos falando de informação primária, aquela que depois será replicada exaustivamente pelos multiplicadores secundários e terciários. Os produtores de informação primária se queixam que a Internet prejudica o negócio deles, na medida em que a matéria deles rapidamente se espalha de forma capilar pela rede até ficar disponível em qualquer lugar. A replicação da informação a torto e direito desvaloriza esse bem e o transforma em mera commodity, é o que dizem e eu concordo. Vou explicar.

Neste blog, faço comentários sobre notícias que eu não apurei. Leio as notícias como qualquer cidadão na Internet, mas o meu negócio não é a notícia e sim o comentário e, por isso, não me considero um replicador. Costumo dar o crédito às minhas fontes e permito que meu conteúdo seja copiado em outros locais, desde que deem os créditos devidos. Pesquisando na Internet encontro meus textos em vários locais da rede, às vezes creditados, muitas vezes não. Se a replicação acontece comigo que não passo de um micro produtor imagine o que não ocorre com as fontes prestigiadas e tradicionais. Tenho a impressão que a Internet ficaria bem menor e melhor se não houvesse tanta cópia da cópia da cópia.

Chegará um dia em que todo mundo além de consumir, vai produzir informação. Talvez, então, as pessoas vejam a informação sob uma perspectiva diferente, não mais como uma mercadoria indiferenciada disponível a granel, mas como algo que leva uma assinatura.