Livros, filmes, peças e sites
Divagações
Os dias contados da videolocadora da esquina
27/09/10
A videolocadora americana Netflix alcançou recentemente a marca de 60 milhões de usuários. Fundada em 1997, a Netflix tem um modelo de negócio vencedor que conquista mais clientes a cada dia. A empresa não tem lojas físicas. O usuário Netflix faz seu pedido pela Internet, recebe os filmes em casa, não tem prazo para devolve-los, nem paga multa por atraso. Aqui no Brasil, o modelo é seguido por videolocadoras como a Netmovies que é 100% virtual e a Blockbuster, que tem lojas físicas também e concorre com a Netflix nos Estados Unidos. Um dos efeitos do crescimento das videolocadoras virtuais é o fechamento das locadoras tradicionais, que fazem parte do nosso cotidiano há quase trinta anos. Está aí mais um exemplo de negócio digital que atropela os modelos tradicionais.
O bom filme se conhece no dia seguinte
27/09/10
Um bom vinho (ou wiskie, ou cachaça) desce macio e não deixa resíduos para o dia seguinte. Se a bebida é de qualidade, não dá ressaca, desde que consumida com moderação, obviamente. Com filme, é o contrário, quanto melhor a fita, mais vestígios ficam para o outro dia. Os melhores filmes, aliás, podem causar alterações prolongadas que se estendem por dias. Por isso, é praticamente sacrilégio assistir bons filmes um atrás do outro. Fazendo isso, os aromas se misturam. O bom filme deve ser degustado com a mesma reverência que se dá a um vinho de fina casta. Não veja nada depois dele para que os efeitos posteriores possam se manifestar.
A última sessão de cinema
27/09/10
Há várias formas de assistir um bom filme como comprar o DVD, alugá-lo, esperar pela exibição na TV a cabo ou aberta, só para citar algumas alternativas dentro da lei. Na teoria, nenhuma dessas formas se compara à experiência clássica de ir a um bom cinema. Só no cinema você assiste o filme em primeira mão, com a melhor imagem e o melhor som, acomodado no melhor ambiente, certo? Há controvérsias. Eu adoro bons filmes, porém sou franco em dizer que vou pouco ao cinema e, provavelmente, vou abandonar essa opção que nos últimos tempos tem me causado mais chateações do que bons momentos.
Sou tropa de elite
27/09/10
É irônico, mas o filme Tropa de Elite, que bate duro na corrupção brasileira, fez o maior sucesso nas bancas dos camelôs antes mesmo de seu lançamento no cinema. Estima-se que mais pessoas assistiram ao filme em DVD pirata do que nos cinemas. Eu, que assisti no cinema, estou me sentido na tropa de elite dos espectadores. Não é fácil ser honesto quando o assunto é pirataria.
Men in black e os cucarachas
27/09/10
Esses tempos de terrorismo globalizado em que vivemos me faz lembrar do filme Homens de Preto. Não sei se sou o único a implicar com os filmes da série embora tenha me divertido bastante com eles. Mas é impossível não fazer algumas perguntas depois de assisti-los: por que o perigoso inimigo alienígena que quer dominar o planeta é justamente uma barata gigante? Por que os aliens estão sempre disseminados na sociedade americana e envolvidos em atividades prosaicas e insuspeitas? Por que alguns aliens são do bem e outros são do mal? Por que alguns são úteis e outros devem ser banidos do planeta? Por que a tarefa de livrar o planeta da escória do universo cabe a alguns poucos iluminados que vestem preto? Por que a tarefa de proteger o planeta cabe a tão poucos que carregam tão pesado fardo?
Títulos and titles
19/09/10
Traduções podem ser surpreendentes. Às vezes empobrecem o texto original. Dizem que essa é a possibilidade que ocorre com maior freqüência. Em outros casos, fazem o texto original parecer melhor do que realmente é. E há os casos em que a tradução é independente a ponto de não ter quase nada a ver com o original. Veja alguns títulos de filmes só para ilustrar a idéia. Em itálico, o título original e entre parênteses uma tradução mais literal.
A primeira noite de um homem
The graduate (O diplomado)
Crepúsculo dos deuses
Sunset Boulevard (Bulevar do pôr do sol).
O original faz referência à famosa avenida de Hollywood.
Um bom filme ou um bom vinho?
18/09/10
As coisas boas da vida podem ser desfrutadas a preços muito variados. Ser surpreendido no meio do dia por uma pancada de chuva com sol é grátis. Caminhar pela rua XV de Novembro em Curitiba em uma madrugada fria também não custa nada (para quem mora em Curitiba, pelo menos). Outras coisas dependem de numerário. Veja que comparação interessante pode ser feita entre filmes e vinhos.
- Garrafa de vinho mata rato: R$ 5,00
- Garrafa de vinho de ótima qualidade: R$ 50,00.
- Garrafa de vinho francês grand cru: R$ 500,00
- Aluguel de filme ruim que só a peste: R$ 5,00.
- Aluguel de filme de alta qualidade: R$ 5,00.
- Aluguel de filme obra prima seis estrelas: R$ 5,00.
Cartazes em cartaz
18/09/10
Alguns cartazes de filme dão o show. Veja com os próprios olhos. Um dos meus favoritos é o cartaz de Os Imperdoáveis. É a prova de que existe poesia na imagem. Observe a fantástica combinação de cores: os tons terrosos do velho oeste, o negro da noite e o avermelhado do pôr do sol. Analise os rostos mergulhados na escuridão, cada um com uma mensagem. Richard Harris cínico, Morgan Freeman desiludido, Gene Hackman desafiador e Clint resignado e pensativo. Três cavaleiros galopam na imensidão do oeste. Um deles está um pouco afastado dos outros dois como se fosse diferente no grupo. Ao fundo, o sol de põe sugerindo o crepúsculo dos heróis. Do velho Clint, vemos a silhueta pensativa, como se lentamente ele estivesse se transformando em uma sombra do passado. Um homem que vai enfrentar o seu último desafio. Nas mãos dele, a arma que não aponta para ninguém como é comum em cartazes de westerns. Uma arma que ele esconde nas costas como se fosse uma vergonha. A arma mítica do western que tem o poder de envenenar o destino com chumbo, que o herói não quer usar, mas que está ali disponível aguardando sua hora. O texto é discreto para não perturbar a força das imagens.