A mulher faz o homem

O escoteiro encontra as raposas

Mr. Smith goes to Washington
Direção de Frank Capra
1939 : EUA :  129 min : branco e preto
Com James Stewart (Mr. Smith),
Jean Arthur (Clarissa),
Claude Rains (Senador Paine) e
Edward Arnold (Jim Taylor)

Somente escoteiros mirins acreditariam na existência de políticos como o senador Smith. Ele é honesto, idealista e tem uma incrível disposição para lutar pelo que acha correto. Está certo que ele é um caipira ingênuo que caiu no ninho das velhas raposas de Washington, mas os filmes de Frank Capra são assim: falam sobre pessoas simples com valores simples.

Mr. Smith (James Stewart) foi designado para o senado americano após a morte do titular da cadeira. O governador que o indicou queria apenas um fantoche para terminar o mandato que não atrapalhasse os planos dos donos do poder local. Mr. Smith foi para Washington e ficou deslumbrado com todos aqueles símbolos patrióticos que ele só conhecia através dos livros escolares. Os problemas começaram para ele quando resolveu apresentar um projeto no senado. Sua intenção era construir um acampamento para escoteiros no seu estado natal. Até aí, nada de errado, mas infelizmente, seu projeto seria erguido em uma área que o poderoso magnata Jim Taylor (Edward Arnold) queria inundar com a construção de uma represa. O senador Smith, que até então só divertia os jornalistas políticos com sua ingenuidade, passou a ser uma pedra no sapato do homem mais poderoso de seu estado. Só vendo o filme para saber como Mr. Smith enfrenta a confusão.

O filme é divertido em alguns momentos, emocionante em outros. Os diálogos são vigorosos, o enredo não perde o pique e os atores são todos do ramo. O título em português ficou um pouco deslocado, não tem nada a ver com o título original que é bem neutro. Quem criou o título em português deve ter prestado atenção na srta. Clarissa (Jean Arthur). Na época do filme ainda se encontrava uma grande mulher por trás de todo grande homem. Realmente, a discreta Clarissa foi fundamental para que Mr. Smith mostrasse de que era capaz.

Há quatro atitudes políticas diferentes nesse filme, cada uma assumida por um dos personagens chave da trama. Juntos, esses posicionamentos formam a visão política implícita do filme. Em um dos extremos, temos o jovem idealista Mr. Smith, o Dom Quixote caipira e no outro, o magnata Jim Taylor, um corrupto oportunista que compra todo mundo que se coloca diante de seus interesses. Entre o idealista e o corrupto temos dois personagens divididos: a srta. Clarissa é uma pessoa pragmática que gosta de boas roupas, mas é capaz de abraçar uma boa causa se for motivada pela energia de alguém próximo a ela. Temos também o senador Paine (Claude Rains) que no passado foi um idealista ingênuo. Ele perdeu a inocência ao longo dos anos, tornou-se objetivo e apesar de fazer coisas boas pelo seu estado, está quase totalmente bandeado para o lado dos corruptos. Será que a política é isso mesmo? Começamos pelo idealismo, depois vamos ficando mais e mais pragmáticos, até que no final nos tornamos só ambição e cobiça? Bem, talvez o idealismo não seja apenas uma febre juvenil. O que mestre Frank Capra nos dá a entender é que o povo quer líderes entusiasmados que lutam pelos valores básicos que qualquer escoteiro conhece. Talvez esse filme pareça ingênuo a muita gente, mas é essa pureza que o mantém década após década na lista dos melhores filmes de todos os tempos.


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Marcante

  • Diálogos vigorosos e cortantes. Quem diria que um filme hollywoodiano comportaria discussões sobre ética na política.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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