Não é Toscana, nem Provença. É Campo Magro

Quando comecei a disparar meus cliques amadores, peguei o carro e saí por aí em busca de belas paisagens rurais, como aquelas da Toscana e da Provença que via em fotos europeias. Por comodidade, minha primeira parada foi em Campo Magro, que fica próxima de minha casa em Curitiba. Não poderia ter acertado melhor a mão. Com o tempo, rodei por outros municípios no entorno de Curitiba, mas as paisagens rurais mais fotogênicas eram as de Campo Magro. Para quem não sabe, Campo Magro é um município emancipado recentemente próximo a Curitiba. Por lá predominam pequenas propriedades mantidas pelos descendentes dos imigrantes italianos e poloneses que colonizaram a região.

O relevo de Campo Magro tem ondulações suaves onde as plantações se alternam com capões de mata aqui e ali pontuados por araucárias. As curvas da paisagem campo-magrense são uma delícia para o fotógrafo. Transmitem tranquilidade e equilíbrio. Em qualquer estação do ano, há cultivos em algum estágio de desenvolvimento. No verão vemos milho, batata, soja. No inverno, o trigo cobre os campos e também é possível clicar a florada do nabo forrageiro, cultura de recuperação de solo.

Campo Magro - paisagem rural

 

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As poucas araucárias

A araucária é uma árvore majestosa e fotogênica que já dominou a paisagem no sul do Brasil, mas está ameaçada de extinção. Seu perfil elegante e sua copa em forma de cálice se formam porque ela se ergue acima das demais árvores na busca pela luz do sol. O estado do Paraná já foi conhecido como terra dos pinheirais pela abundância de araucárias. Infelizmente, a exploração predatória reduziu a nível crítico os exemplares da árvore símbolo do estado. Atualmente, está mais fácil ver araucárias nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Andando pelas estradas rurais do Paraná encontro poucas araucárias isoladas em meio às plantações. Esses exemplares solitários rendem boas fotos pela combinação da imponência do pinheiro com as curvas e texturas suaves das plantações. O efeito plástico dessa combinação é inegável, mas o registro dessa beleza serve também como alerta para o risco que paira sobre o futuro das araucárias. Gosto de fotografar araucárias mesmo que elas estejam em uma paisagem fortemente modificada pelo homem, que é a condição mais fácil de encontrar ou, de preferência, quando elas se encontram em áreas relativamente preservadas que nos remetem a uma época de poucas décadas atrás em que elas eram abundantes nas terras do Sul.

 

Pinheiros no Parque Nacional de Aparados da Serra

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