Não é Toscana, nem Provença. É Campo Magro

Quando comecei a disparar meus cliques amadores, peguei o carro e saí por aí em busca de belas paisagens rurais, como aquelas da Toscana e da Provença que via em fotos europeias. Por comodidade, minha primeira parada foi em Campo Magro, que fica próxima de minha casa em Curitiba. Não poderia ter acertado melhor a mão. Com o tempo, rodei por outros municípios no entorno de Curitiba, mas as paisagens rurais mais fotogênicas eram as de Campo Magro. Para quem não sabe, Campo Magro é um município emancipado recentemente próximo a Curitiba. Por lá predominam pequenas propriedades mantidas pelos descendentes dos imigrantes italianos e poloneses que colonizaram a região.

O relevo de Campo Magro tem ondulações suaves onde as plantações se alternam com capões de mata aqui e ali pontuados por araucárias. As curvas da paisagem campo-magrense são uma delícia para o fotógrafo. Transmitem tranquilidade e equilíbrio. Em qualquer estação do ano, há cultivos em algum estágio de desenvolvimento. No verão vemos milho, batata, soja. No inverno, o trigo cobre os campos e também é possível clicar a florada do nabo forrageiro, cultura de recuperação de solo.

Campo Magro - paisagem rural

 

Na beira das estradas de chão de Campo Magro você sempre vê algum tipo de flor decorando o caminho: palma de Santa Rita, corda de viola, lírio, paina. No meio da paisagem sempre encontramos algumas araucárias, isoladas na maioria, ou agrupadas em algum capão remanescente. É um pouco triste ver essas magníficas árvores sozinhas no meio da plantação e pensar que um dia já dominaram a paisagem da região. Mesmo assim, a plasticidade que elas trazem às fotos é incrível.

A paleta de cores da paisagem campo-magrense  é um espetáculo. Sempre encontro lá muitos tons de verde, indo dos mais escuros e típicos da vegetação nativa local aos tons suaves das plantações. O solo arado para o cultivo mostra vários tons terrosos. Não importa a estação sempre há cores à vontade nos campos. O céu de Campo Magro costuma ser revolto, quase sempre com abundância de nuvens de vários tipos, que rendem composições complexas com várias tonalidades e texturas. A presença constante das nuvens gera ondulações de luz nas colinas que são um presente para a câmera fotográfica.

Circulando pelas estradas rurais de Campo Magro você encontra vários estilos arquitetônicos, inclusive algumas casas remanescentes da primeira geração de colonos.  Paióis de madeira, casas com lambrequins nos beirais, cores vivas, uma simplicidade digna que evidencia a qualidade de vida de pessoas que trabalham duro e colhem porque plantam.

Quem quiser visitar Campo Magro vai encontrar opções de turismo rural, gastronomia típica e natureza. Ainda não fui à Toscana ou à Provença, mas a julgar pelas fotos acho que elas têm um espaço gêmeo aqui no sul do Brasil.

About Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

3 thoughts on “Não é Toscana, nem Provença. É Campo Magro

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