Influenza A (H1N1) é gripe suína, gente

Vírus nfluenza A H1N1

Vejamos quem é bom em trava-línguas. Fale bem rápido três vezes em voz alta: Influenza A (H1N1). Se você passou no primeiro teste, parabéns. Vamos ao segundo. Fale bem rápido a frase: Diagnóstico precoce da influenza A (H1N1) propicia prognóstico positivo. Faz parte do segundo teste entender o significado da frase. O Ministério da Saúde do Brasil optou por usar a expressão Influenza A (H1N1) em sua campanha contra a proliferação da doença que o povo conhece como gripe suína. Pesquisei no Google e encontrei 9.570.000 ocorrências em português para gripe suína contra 526.000 para influenza A (H1N1). Por aí dá para ver a intensidade de uso das duas expressões, uma popular, outra, científica. O combate à gripe suína é um assunto muito sério para ser prejudicado por questões lexicais. Imagino pessoas simples passando diante de um cartaz do ministério onde se lê: Previna-se contra a Influenza A (H1N1). Aposto que o alcance do cartaz seria maior se usasse o nome popular.

Existe uma distância entre a linguagem científica e a popular. Quem nunca mostrou os resultados de exames médicos para um conhecido na esperança de que o colega decifrasse as palavras obscuras que constavam do documento? Geralmente, o nome das coisas embute um conhecimento sobre o objeto que designa. Os nomes populares revelam conhecimentos populares, empíricos. Por exemplo: quando o paciente diz que está com uma queimação no estômago, está citando um sintoma do mal que o acomete e que se assemelha à dor de uma queimadura. O médico vai se referir ao mal como gastrite. O conhecimento incorporado na palavra gastrite só pode ser decifrado com conhecimentos sobre radicais e sufixos gregos. Gastrite vem de gastro (estômago) + ite (inflamação). Eureka! A queimação é uma inflamação do estômago. O divórcio entre o vocabulário popular e o científico, em parte, se explica pela natureza diferente do conhecimento que eles incorporam. Infelizmente, existem também outras motivações em jogo e a questão é mais complexa do que parece. O uso de linguagem obscura para a população, em alguns casos, garante uma reserva de mercado para os especialistas. Os campeões da obscuridade, provavelmente, são os advogados, mas os médicos não ficam para trás.

Quando o Ministério da Saúde optou pelo termo científico devia estar tentando proteger os suinocultores contra mal entendidos. Sinceramente, seria melhor se o ministério tivesse pensado primeiro nas pessoas e depois nos porcos. É mais fácil dizer às pessoas que o porco não transmite a doença do que convencer uma multidão prestes a entrar em pânico de que se fala influenza A (H1N1) em vez de gripe suína.

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