O melhor tira-dúvidas ortográfico

Esses dias eu estava na dúvida: mau comportamento ou mal comportamento? Como sempre faço nessas horas, fui ao meu revisor ortográfico de plantão: o Google. Em duas pesquisas Google sentenciou:

  • Mau comportamento: 2.780.000 resultados.
  • Mal comportamento: 5.280.000 resultados.

A voz do povo é a voz de Deus. Se a maioria escreve mal comportamento, então esse é o jeito certo, certo? Nesse caso específico fiquei meio desconfiado e fui mais a fundo recorrendo às fontes venerandas como o Dicionário Aurélio e às colegas revisoras do escritório e descobri que a norma culta prescreve a grafia mau comportamento. Será que os redatores da Internet estão abandonando a ortografia padrão por puro ódio, ignorância ou mesmo fundamentalismos ideológicos? Para tirar a teima, voltei aos resultados e comecei a observar um a um. Opa, parece que tem um ruído aqui, comentei com meus botões. Os resultados mostravam em muitos casos as duas palavras do argumento afastadas uma da outra no meio do texto. Fui para a pesquisa em modo avançado e pedi uma busca pela frase exata. Para conseguir esse efeito basta colocar o argumento entre aspas. Na segunda tentativa, agora com frase exata, o levantamento de Google foi:

  • Mau comportamento: 302.000 resultados
  • Mal comportamento: 42.900 resultados

Pronto. Estava restabelecida a ordem natural das coisas. A Internet se expressa segundo a norma culta e os desvios típicos da ortografia padrão não chegam a 20% das ocorrências alinhadas com ela.

Você quis dizer? Outra forma de usar o Google como tira dúvidas ortográfico é invocar o eficiente e conselheiro Você quis dizer. Não sabe como escreve o nome da nossa presidente? Escreva como se lê: Dilma Russef e o Google gentilmente vai lhe sugerir uma pesquisa por Dilma Rousseff. Google tem tanta certeza do que está dizendo que simplesmente entrega os resultados incluindo o argumento ortograficamente correto. Caso você queira realmente buscar a forma em ortografia desviada terá que usar algum artifício como colocar a expressão entre aspas. Um exemplo: não adianta buscar Sigmund Froid no Google. Os resultados para Sigmund Freud virão junto a não ser que você escreva “Sigmund Froid” na caixa de busca.

Vamos deixar claro que Google apenas traz à tona a inteligência coletiva. Não é o grande irmão que conhece a grafia correta do sobrenome da presidente, mas uma legião de redatores confiáveis que povoam a Internet com a forma correta de escrever. Tá certo que o Google tem métodos para escolher as fontes que vai tomar como referência, mas nesse caso ele recorre a inteligência coletiva dos internautas que valorizam mais o bom conteúdo. Pelo menos em questões ortográficas, o bom comportamento prevalece sobre o mau.

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