Quem jogaria um livro fora?

Contam que no auge do sucesso do livro Código Da Vinci a administração do metrô de Londres chegou a juntar mais de mil exemplares da obra na seção de achados e perdidos. Algumas teorias surgiram para explicar tamanho acúmulo de livros de Dan Brown. É mais perdido porque vende mais? Os exemplares foram abandonados por leitores frustrados com a qualidade da obra? Os londrinos largam livros lidos em locais públicos para que outras pessoas se beneficiem dos bens culturais? Deixando de lado as teorias engraçadinhas, temos que considerar a hipótese de que uma parte dos livros é simplesmente jogada fora após a leitura.

Não sei com que frequência livros são perdidos/abandonados/jogados fora no Brasil. Já vi algumas reportagens na TV mostrando lotes inteiros de livros didáticos em bom estado jogados no lixo. A desculpa esfarrapada dos responsáveis pelo descarte é que seriam edições desatualizadas. De qualquer forma, defasadas ou não, essas obras poderiam ir para a biblioteca ou, em último caso, para a reciclagem. A Editora Ediouro recebeu críticas recentemente ao propor que seus livros não vendidos fossem descartados pelas livrarias. Para comprovar a devolução do produto bastaria encaminhar pelo correio as capas das obras. Para não ficar falando apenas de casos lamentáveis vamos lembrar de projetos bacanas sobre “esquecimento” de livros. A ideia acontece em algumas cidades brasileiras e consiste em esquecer livros em locais públicos para que qualquer pessoa interessada possa lê-lo. Depois da leitura, o beneficiado deve esquecer o exemplar em local público para continuar o ciclo.

Fui educado para tratar o livro como um bem sagrado. Segundo a minha formação, livro deve ser cuidado com carinho, só pode ser emprestado a pessoas zelosas e como é um patrimônio deve ser passado de pai para filho. Talvez as pessoas estejam mudando sua percepção sobre os livros. Talvez o livro esteja se tornando um bem descartável como tantos outros. Tudo bem, não devemos ter apego fetichista a bens materiais. O que importa mesmo no livro é o seu conteúdo, o pensamento impresso nele. A mídia é transitória. Esse fato não justifica, porém, tratar livro como copo descartável. Aliás, o problema está em considerar qualquer bem como descartável, inclusive os copos.

Com o tempo, boa parte dos livros em papel será substituída por livros digitais, o que vai acabar com esse problema dos livros descartados. Só espero que os leitores não comecem a abandonar seus e-book-readers obsoletos nos bancos do metrô.

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1 pensou em “Quem jogaria um livro fora?

  1. Olá Radamés!

    Compartilho com você da mesma opinião. Livro deve ser cuidado com carinho e só pode ser emprestado a pessoas zelosas. Não imagino a possibilidade de descartar um bom livro.

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