Fábula

Fábula é o conjunto completo de ações e situações de uma narrativa, acrescido da compreensão das relações entre as partes desse conjunto.

Tipos de fábula

Aristotélica

Aristóteles foi o pioneiro no estudo da narratologia. Sua obra Arte Poética permanece até hoje como marco para a Retórica, a Mimética e para a teoria literária e teatral. Na Arte Poética, Aristóteles dá a receita da tragédia grega e lança os conceitos fundamentais da narratologia. A Arte Poética é um tratado de narratologia e também um tratado normativo de estética teatral.

Aristóteles propôs um modelo de fábula que pode ser resumido em duas regras básicas:

  • Unidade de tempo, ação e espaço.
  • Divisão em partes: prólogo, complicação, clímax, desenlace e epílogo.

Essas duas regras definem a fábula aristotélica. Para as outras questões da tragédia há outras definições.

narratologia

Proppiana

Propp estudou a estrutura dos contos folclóricos russos e concluiu que eles seguiam algumas regras. Veja abaixo um resumo das regras:

  • A fábula começa com uma situação de status quo equilibrado.
  • O dano é uma ação que desequilibra o status quo perfeito.
  • O herói é convocado para restaurar o status quo reparando o dano.
  • O herói passa por uma ou mais provas qualificatórias.
  • O herói recebe a ajuda do coadjuvante.
  • O herói parte para o território inimigo na intenção de reparar o dano.
  • O herói defronta-se com o inimigo em várias pelejas que antecipam a peleja final.
  • O herói enfrenta a peleja final quando, então, recupera o bem que havia provocado o dano.
  • O herói bate em retirada fustigado pela perseguição do inimigo.
  • O herói vence o inimigo e deixa o território inóspito.
  • O herói chega à sua terra natal mas não é reconhecido.
  • O herói peleja com os usurpadores e os derrota.
  • O herói é reconhecido.
  • Restabelece-se o status quo original.

Analisando a estrutura do conto proppiano, não podemos deixar de ver a sua semelhança evidente com o mito de Ulisses.

De massa

A narrativa de massa é um pressuposto metodológico. Não há de ser encontrada com todos os seus elementos de caracterização. Resume as características formais típicas da narrativa com largo espectro de aceitação, que vem sendo usada exaustivamente na literatura de massa e em outras modalidades narrativas. As características são:

  • Presença das seguintes partes: prólogo, desencadeamento, desenvolvimento, complicação, clímax e epílogo
  • Unidade de ação
  • Unidade de caráter dos personagens
  • Causalidade
  • Necessidade
  • Verossimilhança interna
  • Continuidade
  • Desencadeamento com objetivo a atingir
  • Ter um falso final
  • Ter um anticlímax
  • Na seqüência complicação clímax deve ter uma inversão de tendência
  • Imprevisibilidade
  • Envolvimento
  • Presentificação
  • Final condizente com o envolvimento
  • Sociabilidade
  • Maniqueísmo
  • Abundância de ação e emoção
  • Background otimizado para o público-alvo

As partes da fábula de massa

Prólogo: É a parte inicial da narrativa em que é colocada a situação inicial.

Desencadeamento: Sucede o prólogo e é a parte em que ocorre a ação cardeal que determina as demais ações cardeais da fábula. É um momento de aumento de tensão que fixa a atenção do receptor em definitivo à narrativa.

Desenvolvimento: Sucede o desencadeamento. É a parte central da narrativa na qual ocorre a maioria das ações cardeais.

Complicação: É parte do desenvolvimento. Começa num dado ponto do desenvolvimento e com ele termina,  imediatamente antes do clímax. É a parte em que se verifica intensificação contínua. As características que podem se intensificar na complicação são:

  • O envolvimento do receptor.
  • A excitação das emoções do espectador.
  • A velocidade da ação.
  • A complexidade da ação.
  • Os obstáculos para atingir os objetivos.
  • A proximidade do objetivo a ser atingido.
  • As dificuldades do personagem com quem o receptor simpatiza.
  • O acirramento dos conflitos.

Clímax: É a parte da ação em que se dão as ações que resolvem o processo que se complicava. O clímax desata o nó que se apertava continuamente na complicação e que fora atado no desencadeamento.

Epílogo: Sucede o clímax. Insere a situação posterior a este.

Ordem de apresentação

A ordem de apresentação revela as ações e situações que formam a fábula. Uma fábula admite incontáveis ordens de apresentação.

Equivalência narrativa


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É a característica de dois discursos narrativos ou representações que remetem à mesma fábula. A fábula subsiste além do discurso que a contém. Incontáveis discursos podem ser proferidos contendo a fábula de Hamlet, o Príncipe da Dinamarca. Dificilmente outro discurso se igualará em qualidade ao realizado por Sheakespeare, mas todos equivalentes no potencial de portar a fábula sobre o príncipe.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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