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Como se pede um x-salada (cheese-salada)?

x-salada

Todo mundo conhece aquele sanduíche que leva hambúrguer, salada (alface e tomate), maionese e queijo (cheese). A maioria das lanchonetes anuncia o produto como x-salada e outras, em menor número, como cheese-salada. O x-salada é um item da culinária fast food vendido aos milhões nas lanchonetes do Brasil, mas a sua ortografia ainda não foi fixada nos dicionários nem no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. A análise desse caso pitoresco renderia uma monografia a um desocupado, mas para os propósitos deste post bastam algumas perguntas sem resposta.

Por que x-salada não está no dicionário se hambúrguer e misto-quente estão? Se servir de consolo, bauru e beirute também não foram dicionarizados. Que estranhos desígnios fazem com que um sanduíche popular esteja no dicionário e outro não? É porque essas palavras nasceram como nomes fantasia, dirão uns. Nem todas as palavras são palavras para dicionário dirão outros. É preciso ter paciência, vão lembrar os mais zen.

Qual é a grafia correta para x-salada (cheese-salada)? Muita gente faz piada com o x dizendo que só o usa quem não sabe escrever cheese, mas aqui vai um lembrete: o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é contrário ao uso de grafias estrangeiras nas palavras nacionais. Assim, cheese não é uma grafia portuguesa válida, pelo menos nos rigores do Acordo.

Como escrever o nome desse calórico sanduíche, então? Já não bastava a implicância dos nutricionistas e dos anti-americanos contra o cheese-salada e agora também a dos letrados. Que tal, escrevermos xis-salada ou tchis-salada? Pensando bem, temos que levar em conta as novas regras para o hífen. Será que o correto é xissalada ou chissalada? Nossa, essa reflexão toda me deu fome. Acho que vou ali na esquina pedir um x-bacon, ou seria xisbeicom?

Made in Brasil ou Made in Brazil?

Muitos brasileiros ficam incomodados ao ver o nome do Brasil escrito com Z nas embalagens de produtos para exportação. Quem age assim deve achar um desrespeito alterar a grafia original dos nomes de locais. A idéia de manter a grafia e pronúncia originais dos topônimos é razoável, mas nada fácil de pôr em prática. Nós falantes do português, por exemplo, somos um fiasco nesse quesito. Enquanto os falantes do inglês trocam apenas uma letra na grafia de Brasil, nós convertemos United States of America em Estados Unidos da América; England em Inglaterra e Scotland em Escócia. No português antigo, vernáculo, os nomes estrangeiros de locais eram aportuguesados ao ponto de ficarem irreconhecíveis no local de origem. Não adianta ir à Alemanha e perguntar onde fica Alemanha para os nativos de lá. Eles não usam a palavra Alemanha. O costume do aportuguesamento perdeu a força, porém, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que começa a vigorar em breve, traz de volta essa preferência. Um dos artigos do Acordo recomenda que a forma vernácula (antiga) é preferível a qualquer outra. Assim, Genebra é preferível a Genève, Munique é preferível a München e por aí vai. Por isso, antes de reclamar daquele Z de Made in Brazil lembre que os japoneses não usam a palavra Japão e que também não devem gostar de ler Made in Japan porque não é assim que eles escrevem e pronunciam o nome de seu país. Aliás, eles pouco usam o alfabeto latino.