Elementos da narrativa

Ficção: é o discurso narrativo ou representação ou fábula que nos remete a uma construção subjetiva em que figuram entidades, ações e situações que formam um todo organizado não veraz.

Universo ficcional: é uma criação subjetiva intuída a partir de uma ficção, formado por entidades, ações e situações formando um todo organizado e hipotético. O discurso narrativo ou representação ou fábula é o ponto de partida para a construção do universo ficcional, que não é dado em si, mas por aspectos. Podemos até imaginar o universo ficcional se estendendo para além de onde é possível ver pela janela do discurso. Mera divagação! O que extrapolamos para além dos dados do discurso é por nossa conta e risco, o que não deixa de ser saudável em certos casos. Se o discurso nos remete a um universo ficcional, em certos aspectos análogo ao universo objetivo, diremos que ele possui uma dimensão realista, o que para a narratologia é um atributo contingente.

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Veja também

Fábula

Fábula é o conjunto completo de ações e situações de uma narrativa, acrescido da compreensão das relações entre as partes desse conjunto.

Tipos de fábula

Aristotélica

Aristóteles foi o pioneiro no estudo da narratologia. Sua obra Arte Poética permanece até hoje como marco para a Retórica, a Mimética e para a teoria literária e teatral. Na Arte Poética, Aristóteles dá a receita da tragédia grega e lança os conceitos fundamentais da narratologia. A Arte Poética é um tratado de narratologia e também um tratado normativo de estética teatral.

Aristóteles propôs um modelo de fábula que pode ser resumido em duas regras básicas:

  • Unidade de tempo, ação e espaço.
  • Divisão em partes: prólogo, complicação, clímax, desenlace e epílogo.

Essas duas regras definem a fábula aristotélica. Para as outras questões da tragédia há outras definições.

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Tempo

Para tratar das questões narrativas de tempo, temos que considerar dois relógios: o da realidade e o do universo ficcional. O primeiro mede o tempo objetivo e o segundo o tempo fictício.

Época e duração

Época de criação ou de emissão: é a coordenada de tempo real associada ao momento da criação do discurso pelo autor.

Época de atualização ou de recepção: é a coordenada de tempo real associada ao ato da recepção do discurso ou representação.

Época de narração: tempo ficcional associado hipoteticamente à narração.

Época de ação: é a coordenada de tempo fictício associada supostamente à ação narrada.

Duração da ação: É o lapso de tempo ficcional em que ocorre a ação narrada. Mede-se num relógio solidário ao universo ficcional.

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Foco

Questões de foco são as que dizem respeito às condições em que se dá o ato narrativo.

Narrador: é o suposto emissor do discurso narrativo, uma entidade imaginária que não deve ser confundida com o autor do discurso, embora seja comum este assumir o papel de narrador.

Narratário: é o hipotético receptor do discurso narrativo, entidade igualmente imaginária que não deve ser confundida com o receptor, embora seja comum o discurso destinar-se diretamente a ele.

Narrador e narratário são tipos especiais de personagens, mesmo quando não fazem parte da ação. Como personagens, podem ter história, aparência, caráter, ideologia e, no caso do narrador, principalmente estilo.

Há dois tipos de interação opostas do narrador com o universo narrativo. O primeiro é a condição de narrador-personagem.

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Vista

Vista é a hipotética condição de observação em que se dá o conhecimento da narrativa por quem a frui. Podemos falar em ponto de vista do narrador, do narratário, do personagem e do receptor.

Ponto de vista do espectador no cinema

  • Quanto à proximidade do objeto: próximo ou distante.
  • Quanto à área de abrangência referida ao homem: close, plano americano, plano geral.
  • Quanto à altura relativa da linha do horizonte: superior, vista humana, inferior.
  • Quanto à mobilidade: fixo, translação vertical ou horizontal, rotação da moldura, rotação vertical, rotação horizontal (panorâmica).
  • Cine verdade.
  • Zoom.

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