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Retórica da influência

Por influência entenda-se convencer, aliciar, mover, incitar à ação.  Os meios que importam à Retórica para atingir estes fins são a explanação, a argumentação lógica e paralógica e a persuasão pelo discurso.

Explanação: É o discurso que informa o receptor sobre determinado assunto. Seus recursos são definição, classificação, exemplificação, análise, síntese, enumeração, postulação.

Argumentação lógica: É o discurso que prova teses. Seus instrumentos são a indução e a dedução. A lógica estabelece os critérios de validade para argumentos, mas, nem sempre validade à luz da lógica é sinônimo de capacidade de convencer. A Retórica ocupa-se da especificidade da argumentação para a influência.

Retórica

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Sale (liquidação) 50% off (de desconto)

sale (liquidação)

Aqui no Paraná, nosso governador Hugo Chávez dos Pinheirais, digo Roberto Requião, sancionou uma lei antiestrangeirismo nas peças publicitárias que está causando a maior polêmica. A lei foi proposta pelo governo e vigora desde 17/07/2009, seguindo a mesma linha de lei estadual similar, criada em maio de 2009 pelos cariocas. Os publicitários locais estão em pé de guerra porque, segundo eles, a lei gera um custo Paraná para anunciantes nacionais, que terão de adaptar suas peças para veicular em solo paranaense.

A lei diz que termos estrangeiros em peças publicitárias devem ser traduzidos usando letras do mesmo tamanho usado para o estrangeirismo. Pairam dúvidas sobre a extensão da lei. Nomes próprios devem ser traduzidos também? Por exemplo: se uma construtora lançar o Central Park Residence terá que divulgar no anúncio o nome traduzido? Expressões incorporadas ao cotidiano da língua como e-mail ou know-how precisam ser traduzidas? Essas dúvidas ilustram como é complicado modelar a língua por decreto.

Ao propor a lei, o governador Requião devia estar pensando em eliminar aquelas propagandas irritantes que usam expressões como sale, 50% off ou delivery. Tudo bem, eu também fico mordido com elas e imagino que esse tipo de propaganda só agrade a algumas dondocas e dondocos. Mas bem esses são os clientes da loja, dirão os publicitários. E não é com uma penada palaciana que vamos descolonizar a cabeça desse povo, diria a voz da razão.

Não é de hoje que os publicitários e marketeiros recorrem a estrangeirismos para dar um ar de sofisticação aos produtos. Provavelmente, o Central Park Residence vende melhor do que um impensável Residencial Parque Central.Se ainda estivéssemos na esfera de influência francesa, como ocorria há um século, o empreendimento se chamaria Résidence Champs Elysées. Assim caminha a província que imita a metrópole. O governador Requião acredita que essa lei maior da imitação colonial pode ser revogada com uma lei antiestrangeirismo. É uma abordagem, pouco produtiva, mas é uma abordagem. Infelizmente, o fim do estrangeirismo fútil só vai acontecer quando deixarmos de ser colônia, ou quando formos metrópole.