Promessas de ano novo

Bem, ano novo chegou e tenho que fazer algumas promessas a mim mesmo. Para não me levar ao auto-engano, vou divulgar as promessas aqui para que haja testemunhas.

8 macro promessas

Ler os 1024 livros mais importantes escritos até hoje.
Escrever 8 livros (espero que sejam importantes para alguém).
Ouvir a Abertura 1812 de Tchaikovsky … Na praça Vermelha.
Refazer o caminho de Van Helsing ao perseguir o conde Drácula de Londres até a Transilvânia … Em um Mercedes.
Fundar uma sociedade secreta. Não posso dar detalhes sobre isso.
Tirar 128 fotos de Curitiba e repetir cada foto todo ano até o resto da minha vida.
Criar uma caranguejeira. (Acho que o IBAMA não vai permitir.)
Inventar uma palavra que acabe dicionarizada.

4 micro promessinhas


Veja também: Todos os países do mundo em Excel

Baixe a planilha com dados de todos os países e territórios autônomos do mundo. Download Assista ao vídeo com a análise dos dados da planilha.

Ler um livro a cada 15 dias.
Assistir um filme clássico por semana.
Escrever um post por semana neste blog.
Ficar unplugged um dia a cada semana.

A Globo quer saber de onde virá o dinheiro

Estava eu vendo o Jornal Nacional quando notei um novo padrão de cobertura da corrida presidencial 2006. A Globo agora cobre a agenda de todos os candidatos, inclusive dos nanicos, o que pode ser bem democrático, mas cacete, na medida que dá voz a pessoas que não tem representatividade para consumir o horário nobre das nossas mentes. Mas o padrão que eu quero ressaltar é o seguinte: a emissora anuncia a proposta do candidato. Fulano prometeu isso ou aquilo. Só que na seqüência, ele deve dizer “como” cumprirá a promessa. Quando a Globo acha que o candidato não deu explicações satisfatórias sobre “como” cumprirá a promessa, encerra a cobertura com a frase: “o candidato não informou de onde virão os recursos para realizar sua proposta.”

A Globo está agindo em sintonia com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que tem uma lógica bem simples: gastou tem que pagar. Provavelmente algum guru da emissora, elocubrando lá debaixo de seu turbante, decidiu que é preciso levar os brasileiros a um novo patamar de consciência política. Sempre didaticamente, um degrau de cada vez, a emissora resolveu que sua cruzada nessa eleição será inculcar no eleitorado brasileiro a consciência da responsabilidade fiscal. Por coincidência, os candidatos mais dispostos a assumir a imagem de fiscalmente responsáveis são o primeiro e o segundo colocado nas pesquisas.

Vamos e venhamos: orçamentos são finitos e escassos, mas existem mil maneiras diferentes de fatiar o queijo, dependendo das prioridades de quem tem a faca na mão. É cansativo a cada dia ouvir o repórter perguntar: “mas de onde virá o dinheiro?” O dinheiro vai ser tirado de outro lugar onde faz menos falta, ora. Infelizmente, seria preciso analisar a proposta completa do candidato, saber onde ele vai cortar, onde ele vai injetar dinheiro, etc., mas isso tudo é muito técnico. Não creio que estejamos preparados para esse nível satisfatório de questionamento.

Essa tentativa da Globo de evangelizar o eleitor me faz lembrar da primeira campanha realizada aqui em Curitiba pela prefeitura em pról da coleta seletiva do lixo. Nessa campanha, que ocorreu há anos atrás, o público foi orientado a separar o lixo em duas latas diferentes: a do lixo comum e a do lixo que não é lixo (o reciclável). Só depois de muitos anos, em 2006, a prefeitura iniciou uma nova campanha, mais aprofundada. Agora os curitibanos começam a separar o lixo em cinco latas diferentes: orgânico, papel, metal, plástico e vidro, cada uma com sua cor específica. Se a coleta seletiva de lixo ocorresse da forma mais sofisticada possível o número de latas seria bem maior. Infelizmente, a população não está pronta para tanto. Com o eleitorado não é diferente. Ainda estamos no primeiro degrau da conscientização sobre a responsabilidade fiscal. Espero que o eleitor não absorva de forma equivocada esse conceito e passe a agir como os repórteres papagaios da Globo: “mas de onde virá o dinheiro?”

Bia Falcão e os dólares na cueca

Novela de televisão é melodrama e uma das regras desse gênero é que, no final, os mocinhos se dão bem e os vilões se dão mal. Não foi o que aconteceu ao final da novela Belíssima. Bia Falcão, a vilã, após cometer alguns assassinatos no Brasil, foge em um jatinho para Paris, onde encerra a novela em grande estilo bebendo champanhe com seu gigolô trazido do Brasil. Outra regra válida para novelas é que, somente em alguns poucos casos, o autor tem o direito de formar opinião no público e que, na maioria das vezes, ele apenas reflete a opinião formada dos espectadores. Infelizmente, para criar esse final contrário às regras do melodrama, o autor de Belíssima não teve que contrariar a opinião formada dos telespectadores. Ao contrário, a novela teve o fim que teve justamente porque os telespectadores estavam preparados para aceitar um fim com inversão de valores.
Ocorreu algo semelhante em 1988 com a novela Vale Tudo, da Rede Globo. No final de Vale Tudo, o vilão também escapa em um jatinho e manda uma banana para os brasileiros da janela.
Diferentes épocas, mas o mesmo contexto social. Em 1988, o país vivia um período de grande desgaste da classe política diante da opinião pública. A população presenciava políticos corruptos escapando ilesos de qualquer punição por suas falcatruas. Em 2006, a situação não é diferente na degradação da vida política.
Como em todo melodrama, o final é o momento de se passar a mensagem. Seria típico esperar um final em que os valores positivos triunfam, o bem vence o mal, etc. Mas porque o autor optou pela inversão de valores? Por que Bia Falcão terminou tomando champanhe na janela, com a paisagem da Torre Eifel ao fundo? Por que o garoto de programa, que durante a novela toda teve a oportunidade e o incentivo para mudar de ramo, optou por acompanhar Bia a Paris em mais uma concessão do autor à negação dos valores que um melodrama deveria reforçar?
Infelizmente, autor de novela não forma opinião num caso desses. Ele não pode ir contra a vontade do público. E talvez o público queira mesmo ver os vilões se dando bem. Talvez seja esta a reação torta do público diante da ressaca moral que vive o país. Talvez o brasileiro se enxergue bem no papel de gigolô da classe política e ache natural carregar dólares na cueca como mula a serviço de políticos corruptos.

Calendário Manossiano

Fim de ano chegando. Hora de planejar o ano seguinte. Pensando nisso, lanço aqui a minha proposta de alteração do sistema de calendário. As mudanças são basicamente as seguintes:

  • O ano passa a ter 364 dias mais o dia zero.
  • O ano passa a ter 13 meses com 28 dias cada um e quatro semanas de sete dias.
  • O primeiro dia do mês cai sempre na segunda-feira e o último, no domingo.
  • O dia zero não pertence a nenhum mês e a nenhuma semana. É um dia fora do calendário e acontece após o 28o. dia do 13o. mês.
  • O dia zero será um feriado mundial que celebra a renovação do ano e a fraternidade universal.
  • A cada quatro anos, teremos um ano com dois dias fora de calendário: o dia zero e o dia zero zero.

Será realizado um concurso em cada país que adotar o calendário manossiano para a escolha dos novos nomes dos dias do mês e dos dias da semana. Em um país cristão, por exemplo, o nome dos meses pode ser o dos apóstolos. O 13o. mês seria o mês de Jesus. É claro que o mês de Judas pode não pegar bem, mas este pode ser subtituído por Paulo de Tarso, por exemplo.

A vantagem do calendário manossiano é sua regularidade. Os meses têm sempre a mesma duração, Nâo há semanas que começem em um mês e terminam em outro. As pessoas sabem que o dia 8 sempre cai na segunda-feira, que o dia 27 sempre cai no sábado, etc.
Alguns problemas surgem. Por exemplo: talvez seja preciso recuperar o 13o. signo do zodíaco que se perdeu com as mudanças do calendário.

Planejamento plurianual de marketing

Fazer um book de fotos.
Fazer desfiles e comerciais.
Fazer bons contatos.
Namorar um esportista famoso.
Desmanchar o namoro.
Conceder entrevistas contando tudo sobre o namoro.
Aparecer em festas e eventos escolhidos cuidadosamente.
Posar nua para a Playboy.
Aparecer em talk shows e programas de auditório.
Namorar a sério um homem muito rico.
Casar com o homem muito rico em uma festa de arromba.
Publicar as fotos da lua de mel na revista Caras.
Conceder entrevistas contando como está feliz.
Abrir o apartamento de cobertura para a revista Caras.
Plantar rumores de desentendimento entre o casal.
Separar-se do homem muito rico.
Viajar para a Suiça tentando esquecer a separação.
Assinar contrato com uma emissora para estrelar programa de TV.
Namorar homens variados da moda.
Criar factóides diversos de manutenção.