Um relógio para durar 100 séculos

10 milênios, 100 séculos ou 10.000 anos. Esta é a vida útil prevista para o relógio em desenvolvimento pela The Long Now Foundation, chefiada por William Daniel Hillis. Qual a finalidade de um relógio que deve se manter preciso e em perfeito funcionamento por tanto tempo? Pense com calma e tente responder antes de continuar a ler este post.

Tic

Tac

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Provavelmente, você continua lendo sem ter parado um instante sequer para refletir sobre essa questão de cunho filosófico. Realmente, trata-se de uma reflexão totalmente estranha à nossa realidade calcada na busca por resultados imediatos. O relógio do longo agora ficará guardado no interior de uma montanha no estado de Nevada, EUA. Para chegar até ele será preciso descer por um túnel de150 mde profundidade. Além de marcar o tempo, esse aparelho incrível fornecerá informações sobre estações do ano e fases da lua aos habitantes do futuro que resolvam visitá-lo. É um relógio de carrilhão que tocará música e seu mecanismo permite combinações que geram mais de 3 milhões de melodias, quantidade suficiente para atravessar os séculos sem repetir uma única vez a musica. Uma das características mais marcantes do relógio é a sua capacidade de auto ajuste que lhe permitirá se manter preciso durante 10 milênios. Para tanto, seu projeto leva em consideração os movimentos da terra e contará com uma lente apontada para o sol para garantir sua calibragem e sintonia com os movimentos celestes. Quem tem gosto pela História Antiga sabe que as tumbas egípcias, concebidas para atravessar os séculos, foram profanadas por causa do alto valor de seu conteúdo. O relógio de 10.000 será construído com materiais resistentes, mas sem valor significativo para não despertar a cobiça de saqueadores do futuro. Além disso, seu mecanismo ficará integralmente visível para que possa ser entendido sem precisar de desmontagem. O fato de ele ficar abrigado em uma montanha o protege contra vários riscos. Como você deve ter percebido, o projeto leva em conta variáveis que vão além da tecnologia.


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Estamos acostumados a pensar no curto prazo. Vivemos em uma sociedade imediatista e, por isso, o projeto do relógio de 100 séculos exerce fascínio nas pessoas capazes de olhar as coisas considerando outros paradigmas. Dez mil anos é o tempo que durou até agora a aventura humana na Terra desde que surgiram as primeiras civilizações. Será que daqui dez mil anos ainda haverá homens no planeta para conferir o sucesso do projeto? Uma coisa é certa, poucos artefatos criados pelo homem duraram tanto tempo e, se duraram, não foi em funcionamento preciso e ininterrupto. A montanha onde será instalado o relógio fica em um parque americano que abriga sequoias milenares, algumas delas com cerca de cinco mil anos. São os seres vivos mais longevos do planeta. Sem dúvida, uma ótima companhia para o relógio dos 10.000 anos. O projeto The Long Now Clock foi concebido em 1986 e já produziu um protótipo do relógio em exposição no Museu de Ciências de Londres. Ainda não há previsão para o início oficial da contagem de 10.000 anos, mas afinal, quem está com pressa?

Saudosa marmelada

No último final de semana assisti em casa um daqueles filmes raros que vão fundo na alma do ser humano. Falo de O Lutador com Mickey Rourke e Marisa Tomei, que conta a história de um lutador decadente que por décadas atua em espetáculos de wrestling. Bem, não é do filme que vou falar neste post, mas da viagem sentimental que ele desencadeou em mim, por isso, senhoooooras e senhooooores, convido todos a lembrarem do INCRÍVEL, fooooormidável e i-nes-que-cí-vel TELECATCH INTERNACIONAL DE CURITIBA.

Na década de 1970 as transmissões via satélite eram pouco comuns e as emissoras de TV apostavam em produções locais. O Canal 12 de Curitiba apresentava nos sábados à noite seu programa de lutas livres. Era o maior sucesso. Lá em casa, a audiência do Telecatch era cativa. Ainda lembro de meu avô Lourenço tenso e indignado diante da TV preto e branco:

— Olha lá, olha lá. O Joia está esfregando limão no olho do Brasão e o juiz faz que não viu nada.

Havia uma ordem bem estabelecida no Telecatch. De um lado ficavam os lutadores do bem como Brasão, Mister Argentina e Bala de Prata. Esses eram os caras boa pinta que arrancavam suspiros das moçoilas. Do outro lado ficava a turma da pesada que desconhecia completamente o significado de palavras como caráter, honra ou regras. Nessa turma de bad boys despontavam vilões como Metralha, Verdugo, Fantomas e Tigre Paraguaio. Meu vilão favorito era o performático Joia o Psicodélico que costumava roubar a cena nas lutas em que participava. Onde o cara encontrou inspiração para esse nome, hein?

As lutas eram narradas pela voz entusiasmada de Wilson Brustolin. Os juizes também eram de dois tipos: havia os íntegros e os ladrões que roubavam até da mãe para favorecer os vilões. Alguns céticos diziam que o telecatch era uma grande marmelada. Bem, se era ou não era jamais saberemos. O que eu vi com meus próprios olhos algumas vezes foi a vitória do vilão. Lembro de uma vez em que ocorreu um embate histórico e surpreendente. Brasão, o galã do telecatch, por alguma razão nunca divulgada caiu em desgraça com os vilões que aplicaram uma camaçada de pau no campeão paranaense e o deixaram beijando a lona. Esses casos isolados, porém, eram exceção. Normalmente, o paladino do bem sofria um bocado, mas no final desencadeava uma reviravolta sensacional com direito às famosas tesouras voadoras. Quase sempre, o vilão era arremessado para fora do ringue juntamente com o juiz ladrão que o protegia.

As lutas livres na TV vieram dos espetáculos circenses. Pertencem a uma categoria quase extinta de diversão pública onde os espectadores eram levados a uma catarse absoluta.  Tempos inocentes que não voltam mais. Por onde anda esse povo do telecatch? O famoso La Múmia nunca teve sua identidade revelada. Sempre lutava com bandagens cobrindo todo o corpo. Dizem que era da polícia e que teria chegado ao posto de Comandante Geral da Polícia Militar do Paraná. O Big Boy entrou para a política e se elegeu vereador pelo PV. Contam que Joia o Psicodélico ainda sobe aos ringues de circos mambembes no interior do Paraná. Certamente, ele continua incendeiando as plateias com suas bravatas. Será que esconde limões na cintura? Longa vida ao Psicodélico e que prossiga a velha luta do bem contra o mal.

Crédito de imagem: Paraná on-line

Calendário Manossiano

Fim de ano chegando. Hora de planejar o ano seguinte. Pensando nisso, lanço aqui a minha proposta de alteração do sistema de calendário. As mudanças são basicamente as seguintes:

  • O ano passa a ter 364 dias mais o dia zero.
  • O ano passa a ter 13 meses com 28 dias cada um e quatro semanas de sete dias.
  • O primeiro dia do mês cai sempre na segunda-feira e o último, no domingo.
  • O dia zero não pertence a nenhum mês e a nenhuma semana. É um dia fora do calendário e acontece após o 28o. dia do 13o. mês.
  • O dia zero será um feriado mundial que celebra a renovação do ano e a fraternidade universal.
  • A cada quatro anos, teremos um ano com dois dias fora de calendário: o dia zero e o dia zero zero.

Será realizado um concurso em cada país que adotar o calendário manossiano para a escolha dos novos nomes dos dias do mês e dos dias da semana. Em um país cristão, por exemplo, o nome dos meses pode ser o dos apóstolos. O 13o. mês seria o mês de Jesus. É claro que o mês de Judas pode não pegar bem, mas este pode ser subtituído por Paulo de Tarso, por exemplo.

A vantagem do calendário manossiano é sua regularidade. Os meses têm sempre a mesma duração, Nâo há semanas que começem em um mês e terminam em outro. As pessoas sabem que o dia 8 sempre cai na segunda-feira, que o dia 27 sempre cai no sábado, etc.
Alguns problemas surgem. Por exemplo: talvez seja preciso recuperar o 13o. signo do zodíaco que se perdeu com as mudanças do calendário.