Até que enfim: preços diferentes para formas de pagamento diferentes

O Governo Federal publicou em 27-12-16 medida provisória que permite aos comerciantes cobrarem preços diferenciados dependendo do meio de pagamento utilizado pelo cliente. Se o cliente pagar em dinheiro, por exemplo, talvez consiga um preço menor do que aquele que paga com cartão de crédito. Na prática, a medida legaliza o que já ocorre informalmente.

Cada meio de pagamento tem suas vantagens e desvantagens. Alguns são mais cômodos, outros mais seguros, mas todos têm um custo. Até o pagamento em dinheiro custa dinheiro, afinal, a emissão de papel moeda é um processo caro que pagamos à Casa da Moeda por meio de impostos.

cartões

Faz bem aos negócios deixar para o cliente a decisão sobre qual forma de pagamento usar. Acredito que haverá um deslocamento da preferência da clientela para os meios mais baratos. As taxas de cartão de crédito, por exemplo, são um assombro. O cliente não se preocupa com elas porque ficam do lado do lojista, mas elas estão lá pressionando o preço dos produtos para cima.

Infelizmente, existem por aí defensores dos interesses das operadoras de cartão disfarçados de defensores do consumidor. “Não podemos discriminar meios de pagamento a vista”, dizem. Ora, os usuários de cartão de crédito são pessoas mais favorecidas do que quem só opera em dinheiro, logo quem mereceria proteção são os pobres sem cartão.

A medida provisória é bem-vinda e espero que vire lei. A legislação anterior privilegiava bancos e operadoras de cartão. Não creio que a medida vá causar um retrocesso tecnológico. As pessoas vão optar por meios eletrônicos se houver um equilíbrio entre comodidade, segurança e custo. Basta deixar que a boa e velha lei da oferta e procura regule o mercado.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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