Homo artificalis

Ao escrever o romance Frankenstein, Mary Shelley antecipou um dos grandes dramas humanos do terceiro milênio: o cientista cria e a criatura se rebela contra o criador. Ao meditar sobre as possibilidades da engenharia genética sou levado a crer que um dia o homem criará o seu sucessor como espécie dominante nesse planeta. No passado, o homo sapiens, de alguma forma, venceu a luta pela perpetuação em contraste com outros hominídeos que como o homem de Neanderthal se extinguiram. Quando os homens usarem os recursos da engenharia genética para criar novas espécies a tentação será irresistível no sentido de criar uma espécie derivada da humana, mas superior em habilidades. Como a evolução é progresso e não meramente adaptação, estará aberto o caminho para o surgimento de formas de vida mais complexas do que as que conhecemos, no caso mais complexas e sofisticadas do que nós mesmos. Não estou falando de robôs ou andróides que se rebelam contra a espécie humana, mas em uma nova espécie derivada da humana, vida autêntica com aquele irresistível impulso de perpetuação e que há de se impor como nova espécie dominante. E isso se dará por uma ração simples: a nova espécie é superior em habilidades e terá uma vantagem competitiva esmagadora sobre a espécie que a gerou. Nesse ponto o papel do homo sapiens estará cumprido. Entregaremos o bastão e uma espécie mais qualificada assumirá o comando na tortuosa tarefa de se aproximar de Deus.

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