13 pedidos para a presidente Dilma

O segundo mandato da Presidente Dilma vai começar. Espero que ela alcance sucesso em sua gestão e entregue um Brasil melhor para todos nós em 2018. Mas o que seria esse Brasil melhor? Para ser honesto em julgamentos futuros vou citar antecipadamente treze indicadores que eu gostaria de ver melhorados no próximo mandato da Presidente. Sou um social democrata e votei no Aécio Neves em 2014, mas não vou julgar a presidente usando uma cartilha de “direita”. Vou avaliá-la resgatando na memória velhas bandeiras da “esquerda” que eram empunhadas pelo PT nos tempos em que era oposição. Em outros termos: não farei pedidos tucanos à presidente; antes gostaria que ela realizasse em seu segundo mandato alguns sonhos do velho PT.

Palácio do Planalto

 

 

  1. Fim da miséria. O Brasil ainda tem mais de 10 milhões de miseráveis segundo o IPEA, ou seja, pessoas que não têm renda sequer para garantir suas necessidades básicas de nutrição. O governo precisa universalizar seus programas sociais e dar dignidade para os 5% mais vulneráveis de nossa população
  2. Valorização do salário mínimo. Em seu primeiro mandato Dilma valorizou o salário mínimo em 12%. O salário mínimo atual (R$ 724,00) atende apenas 26% das necessidades básicas de uma família média segundo o DIEESE. Espero uma valorização real do salario mínimo superior a 21%. Assim Dilma superaria a marca do segundo mandato de FHC.
  3. Controle da inflação. A inflação é um dos mais perversos mecanismos de concentração de renda. A oposição derrotada defende uma inflação de até 3% ao ano, coisa de primeiro mundo. Vamos dar uma folga na ortodoxia e admitir que uma inflação média de 4,5% ao ano estaria de bom tamanho para um governo desenvolvimentista.
  4. Avanços trabalhistas. Nascido nos sindicatos, o PT sempre defendeu direitos trabalhistas. Espero que Dilma preserve esses direitos e que avance nessa área abandonada, em especial, garantindo para todos a jornada semanal de 40 horas de trabalho.
  5. Aposentadorias preservadas. O fator previdenciário é um método de cálculo de aposentadorias que deteriora o rendimento dos aposentados.  A oposição derrotada nas urnas se comprometeu a rever o fator e Dilma poderia fazer essa revisão do fator previdenciário para garantir que aposentadorias sejam calculadas em bases mais justas. Da mesma forma, é importante preservar as aposentadorias da corrosão inflacionária vinculando-as ao salário mínimo, por exemplo.
  6. Redução da violência. O Brasil registrou mais de 50.000 mortes violentas em 2014 segundo o Mapa da Violência. A administração petista não acredita na via repressiva para resolver o problema, mas está se formando um consenso de que o governo federal precisa se envolver mais no combate à violência. Formação dos jovens, investimento em esportes, cultura e lazer, redução das desigualdades, tudo isso pode ajudar a diminuir as mortes violentas pela metade, o que nos deixaria numa posição mediana no ranking mundial da violência.
  7. Reforma agrária. Já pensou se o MST fosse extinto por falta de assunto? Está mais do que na hora de pacificar o campo. Não é aceitável que um governo de esquerda tenha que ficar administrando conflitos agrários. Em seu primeiro mandato Dilma assentou bem menos famílias do que seus antecessores Lula e FHC. O MST estima a que haja mais de 100 mil famílias acampadas aguardando assentamento. Terra para todos que quiserem nela trabalhar.
  8. Demarcação de terras indígenas. Os povos indígenas precisam que suas terras sejam demarcadas de vez, para pôr fim aos conflitos e por respeito às culturas tradicionais. Segundo a FUNAI ainda existem mais de 100 áreas em estudo para demarcação.
  9. Saneamento da Petrobrás.  Durante o primeiro governo Dilma o valor de mercado da Petrobrás caiu a menos da metade. A empresa valia 380 bilhões de reais em 2010 e caiu para 175 bilhões em 2014 causando brutal prejuízo inclusive a trabalhadores que investiram seu fundo de garantia na empresa. O que se espera da presidente é que não deixe pedra sobre pedra no saneamento da companhia e a devolva aos brasileiros com o mesmo valor que a recebeu de seu antecessor.
  10. Ampliação da classe média. Para o governo, a classe média é formada por famílias com renda superior a dois salários mínimos aproximadamente. Não vamos discutir se esse piso define bem a classe média, mas seria desejável que no próximo governo a classe média continuasse crescendo em ritmo acelerado, algo como 10 milhões de novos membros nessa classe. Esse avanço teria a vantagem adicional de aliviar os investimentos do governo com programas sociais, já que esses brasileiros em ascensão social não precisariam mais ser atendidos pelo bolsa família, por exemplo.
  11. Passe livre. Uma das reivindicações dos protestos de 2013 era o passe livre no transporte público urbano que precisa ser estimulado e desenvolvido pensando em qualidade de vida e meio ambiente. Precisamos de soluções como o passe livre ou variações similares que barateiem o transporte público e melhorem a mobilidade urbana.
  12. Ampliação da escolaridade. O Ensino Fundamental foi universalizado no Brasil ainda no governo de FHC. A situação do Ensino Médio, porém, é desalentadora. Pouco mais da metade dos jovens até 19 anos concluem o Ensino Médio segundo o IBGE. A população universitária praticamente dobrou nos governos petistas. O desafio, porém, é elevar a escolaridade média do brasileiro dos atuais 7,4 anos de estudo segundo o IBGE para um valor compatível com outros países emergentes próximo de dez anos.
  13. Punição aos crimes da ditadura. Enquanto outros países da América Latina já puniram os criminosos de suas ditaduras de direita aqui no Brasil ainda procuramos saber o que realmente aconteceu. Dilma foi uma das vítimas do regime militar, mas parece que o PT não coloca empenho nessa purificação de nosso passado cinzento.

Veja também: Todos os países do mundo no Excel

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