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O Telegram e a linha Marginot

Quando um hacker invadiu o Telegram do Ministro Sérgio Moro logo lembrei da linha Marginot. Depois da Primeira Guerra Mundial os franceses construíram uma linha de defesa na fronteira com a Alemanha para impedir um possível ataque alemão. Chamaram-na de linha Marginot e era considerada impenetrável, verdadeiro orgulho da engenharia militar francesa. Até os alemães concordavam que não dava para romper a linha Marginot, tanto que na Segunda Guerra Mundial invadiram a Bélgica e entraram na França pela fronteira belga.

Linha Marginot
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Muros cada vez mais altos

Alguns dias atrás fui acordado pelo barulho de marretadas de pedreiros trabalhando. Eles estavam aumentando a altura do muro do condomínio que fica do outro lado da rua onde moro. Na versão original o muro devia ter uns dois metros de altura, medida ampliada para três com a obra. Pensei comigo: é a sensação de segurança medida em metros. Alguns dias depois, peguei a câmera para fotografar a obra, pois já tinha em mente a redação desse singelo post sobre segurança urbana. Mal dei o disparo e logo um segurança estava a me perguntar se eu estava fotografando o condomínio. Saí de fininho para não ter que discutir com um trabalhador que segue ordens, mas pensei comigo: só estou fotografando o que qualquer meliante pode ver da rua.

Não boto fé em investimentos de segurança baseados em muros altos, cercas eletrificadas, lâminas cortantes ou cacos de vidro encravados no alto do muro. Se fosse um ladrão não me intimidaria com esses obstáculos, pelo contrário, me sentiria mais tranquilo sabendo que os muros altos impedem a visualização de fora para dentro. Para algumas “operações” dos bandidos, o muro pode ser bem útil. A minha casa também tem muros, já a comprei assim, mas isso não impediu os ladrões de levarem as bicicletas dos meus filhos que estavam na garagem.

Vejo outros problemas com os muros, além da falsa sensação de segurança. Eles deixam a cidade feia, poluem a paisagem e impedem a vista de avançar. Quem está fora não vê o que está dentro e vice-versa. Outra coisa: muros eletrificados ou com cacos de vidro são uma ameaça para as crianças, que ficam sujeitas a acidentes quando por algum motivo inocente tentam pula-lo. O ladrão, obviamente, conhece os riscos e não vai levar choque nem vai se cortar. Uma prova de que o muro é uma solução ruim é que na maioria dos condomínios não há muros internos dividindo o espaço entre as residências.  O muro é reservado apenas para os limites externos da fortaleza.

Algum dia viveremos sem muros? Em muitos lugares os muros já foram abolidos, mas a cultura das divisas fortificadas é muito antiga, vem de uma época em que hordas de bárbaros podiam surgir de repente saqueando tudo o que viam pela frente. Os bárbaros hoje são outros, dirão alguns. Ouso dizer, porém que para combate-los o melhor é lançar mão da tecnologia em vez dessa instituição medieval chamada muro.