Águas em junho

Da janela do apartamento assisto
a morte dos sonhos frágeis.
Um a um despencando pela sacada.
É junho e meu coração em desatada sangria,
como estas águas frias
correndo nas ruas.
Neste tempo de frio e águas
meus sonhos sumindo na sarjeta,
se dissolvendo nas águas.
Em junho os sonhos se vão.
Não todos, apenas sonhos vãos.
Versos e versos se perdendo pelo vento,
que me importa.
A quinta essência escorrega da janela
e se arrebenta no asfalto.
Adeus sonhos transcendentes.
Recomeço com coisas simples e realizáveis.
Não realização fácil, mas palpável.
Abro os braços ao mundo do imediato.
Coisas simples:
amor e vida sem tormentos,
emoções simples, só e simplesmente.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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