Feliz e não sabia

HOUVE UM TEMPO,
tempo em que eu não me conhecia,
eu era jovem, promissor,
e decerto venceria.
Tempo em que eu me sentia
um eleito com toda primazia.
Eu era o maestro
e meu destino a sinfonia.
Tempo em que eu me media
pelo que julgava que podia
e o futuro se faria como réplica
do que eu me atribuía.
Bons tempos aqueles
em que eu queria vencer
e achava que venceria.

Houve um tempo
em que a todos eu criticava
e a mim mesmo não me via,
presunçoso que era
e nem sabia.
Radical, eu empacava e intransigia,
mas era alienado e não sabia.
Eu me pavoneava, me enaltecia,
sendo medíocre mas não sabia.
Eu errava e mesmo errando eu insistia,
provinciano, mas não, não sabia.
Para ser sincero,
naquele tempo eu não sabia nada
mas achava que sabia.
Eu me sentia capaz da maior das poesias
e a poesia passava do meu lado
e eu nem sentia.
Bons tempos aqueles.
Eu era feliz e não sabia.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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