Heráclito de Éfeso

Divino oráculo que soprais palavras de fogo,
sábias mensagens dignas de lavrar no mármore,
preciso tom para as sumas verdades,
que verdade há, senão, a contínua renovação
das águas do rio?
O mundo que habitamos: uma chama palpitante,
caminhos que sobem e que descem,
num perpétuo mágico fogo contínuo.
Tudo, a púrpura túnica que te orna o corpo,
os fumos olorosos que procuram o céu,
as espadas que se cruzam em batalha,
os corpos que se queimam na brasa do amor,
tudo não é a mesma coisa por mais
que um incomensurável instante.
Neste mundo o eterno devir,
a luta entre contrários, a tudo rege.
E não nasce o mesmo astro por duas repetidas vezes.
Já outro astro lhe assumiu a rota quando se pôs.
O fogo: a moeda de tudo.
Todas as trocas se dão pelo fogo.
A matéria se retrai, resfolega e crepita.
Os fumos da combustão, por movimento descendente
se adensam de novo e de novo formam
matéria para o eterno fogo.
Saibam os que desejarem na razão se alimentar:
a eternidade para nada há.
A cada avanço do carro celestial de fogo
o cosmos é um novo cosmos.
Oh, voz do oráculo, segredai aos pobres mortais
que tudo nada dura.
Apenas assistimos ao eterno devir.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

Seu comentário também é poesia