Fantasmas do retrato

Súbito, você que já se habituava
a isso que chamam vida e seus revezes
ouve a voz de gente conversando na sala
onde bem sabe não há ninguém.
Os fantasmas perambulam pela casa.
Esfumados, mas presentes, te acenam
e emitem sons que você já ouviu
não sabe onde.
Você escuta a conversa dos fantasmas
Algo em teu coração range como o soalho há pouco.
Uma palavra mais rude que volta do passado,
uma tua esperança de amor
que nunca veio a ser.
Inevitavelmente os fantasmas retornam
e o que era calmaria em teu peito
se converte em pulsação forte,
intensidade pura.
Inútil mudar de sala, de casa, cidade.
Os fantasmas viajam contigo.
Por todos os lugares, acorrentados a você
seguem cadáveres de manhãs geladas,
fósseis de um entardecer de junho.
Após a última badalada
esta arca de coisas perdidas
se recupera das entranhas
renasce e cresce.
Os fantasmas eternos.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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