Museu paranaense

Visito o Museu Paranaense.
Nas salas e nos corredores
retratos pintados de figuras ilustres do passado.
Este de ar altivo,
a praça em frente leva seu nome,
famoso e irremediavelmente morto.
Mais adiante um cavalheiro de olhar confiante,
distinto e irreversivelmente morto.
Ao fundo, um que comandou por décadas
a política paranaense,
solene, a mão firme apontando para o futuro,
mas interminavelmente morto.
Ali, em tamanho natural, um bispo,
severo, como se dono das chaves do Reino,
porém, inevitavelmente morto.
Desfila a procissão de rostos diante de mim.
Capitães de indústria, empreendedores e mortos.
Políticos matreiros, aristocráticos e mortos.
Jovens senhoras, lindas
e infinitamente mortas.
Professores, médicos, advogados,
sólidos, serenos, sábios e mortos,
como eu na minha hora,
talvez sem fama,
sem classe, sem título,
sem retrato, sem nome de rua,
mas principalmente
morto.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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