Velho

Tantos anos viajando
em mar aberto,
quantos lanhos
de vã luta por causa vã.
Olha aqui meus queimados
pelo fogo fátuo das frivolidades.
Não queiras saber das histórias
de minhas andanças por aí.
Se bem que sei que as sabes.
Tudo sabes de mim, não é?
Eis que volto e te encontro
aqui na varanda.
Adivinhavas minha chegada?
Aposto que estás aqui desde sempre.
Que tal supormos que tudo
aconteceu entre duas badaladas
do teu velho carrilhão.
Ainda funciona?
Sei que podes, pelo que és, pois,
preciso de ti uma vez mais.
Me ensina este olhar
que transpõe o horizonte,
o aperto da tua mão nodosa
que me aperta a alma,
este silêncio que diz tanto.
Quero ser rocha, ungüento, sal.
Pai, me ensina,
que meu filho me espera.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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