Valor de mercado

Falar, citando Quintiliano,
sobre aqueles homens beócios
dos primeiros tempos,
que criavam palavras
segundo a primeira impressão que
lhes suscitava o contato com as coisas:

Sem valor de mercado.

Dizer não,
resistir ao impulso
de fazer errado
só porque todo mundo faz:

Sem valor de mercado.

Ver nos olhos de seu filho
uma mágoa escondida,
abraça-lo e pedir que lhe abrace
o mais forte possível:

Sem valor de mercado.

Teoria da comunicação

Eu falo,
você entende.
E temos a comunicação.
Entendeu?
Deixe eu explicar melhor:
Primeiro há o emissor
que é o sujeito que quer passar algo.
E tem o receptor
que vai receber aquilo tudo.
Entre eles circula a mensagem
por um canal, que é físico.
Daí o receptor decodifica
e está pronto.
Quando não dá certo
usa-se o feedback.
Simples, não acha?

Sem limites

Ah, comerciais do cigarro Hollywood
no horário nobre.
Fulminam-me, boquiabrem-me.
Ah, conquistar o cume
dos icebergs da Antártida,
Desbravar super sônico,
as dunas do Saara.
Não quero a rotina mofa
as sensaborias rotas
da vida pacata.
Quero o adrenalinado
sabor de conquista
que só me dão os comerciais
de Hollywood no horário nobre.
Impecáveis produções milionárias,
lapidares, conclusivas provas
da genialidade sem par
da nossa elite criadora.
Como me calam suas fundas verdades,
a luz que projetam
nos absconsos da alma humana.
Que mágica operam estes comerciais.
Vendem cigarro
sem falar de cigarro
e fumar fica tão esportivo,
nem de longe cancerígeno.
Quem me dera ser um comercial
de Hollywood no horário nobre.

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No deserto cibernético:
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15 segundos

Prezado leitor:
Nestes 15 segundos
que me são garantidos
pela lei de Andy Warhol revista
gostaria de manifestar
meu repúdio a esta caótica
disputa desenfreada
pelo privilégio de sua atenção.
Que sociedade é esta
em que os valores se diluem,
a cultura se estilhaça
em pequenos cacos
de informação irrelevante
e não se põe o sol duas vezes
com o mesmo pop-deus no pedestal.
Caminhamos irreversivelmente
para o ruído de fundo,
mas o tempo é escasso.
Meu nome é