Sentido

O sentido das coisas?
Só preciso dele para compor versos.
E se não o tenho
sai o verso melhor ainda.
Na rua, inexplicavelmente,
o sentido está dado.
Cortar o cabelo,
arrumar emprego,
atingir o orgasmo.
Onde está o sentido?
Não sei. Terei de procurá-lo?
Consolar um doente,
explicar de onde vem os bebês,
pintar um quadro.
Mas qual o sentido?
Não sei. Vivo bem sem cogitá-lo.
Perder o sono,
amar sem ser amado,
morrer no dia de Finados.
Por quê? Por quê? Por quê?
Não sei.
Não foi de perguntar que perdi o sono.
Não foi por falta de sentido
que deixei de ser amado.
Com ou sem resposta
tudo pode acontecer em Finados.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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