Corpo

Vejo meu corpo no espelho
mas não me vejo. Então, quê vejo?
Meu corpo: janela para o mundo,
que me obedece
em algumas poucas coisas,
mas teima em caminhar sem mim.
Onde termina meu corpo,
onde começo eu?
Ou não há fronteira possível
entre nós?
Se minha mão fosse decepada
eu vendo-a diria:
aquilo não sou eu.
Há linha divisória
por onde passa a faca
sem que meu corpo deixe
de ser minha morada?
Ah, não direi mais: meu corpo.
Sou eu no espelho, não ele.
Não importa se o percebo
a partir da fria gelatina
da quinta dimensão.
Estamos destinados um ao outro.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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