Platonismo

O amor em si,
o amor a nada,
é inútil e inodoro.
Apenas decora
com sua beleza fria
a estante do filósofo.
Meu amor por ti
tem o gosto salgado
da tua pele
e me escolhe,
me tatua,
me talha.

O amor etéreo,
como uma reta,
se estende ao infinito
nas mentes matemáticas.
Meu amor por ti
queima indefeso ao vento.
Pode se apagar com a estação
ou talvez me ilumine a vida,
pois está na rua,
sangra, luta e sua.
Meu amor por ti
é um ser vivo.

O amor em tese
não dá trabalho.
É límpido, puro
e só precisa de contemplação.
Meu amor por ti
é conquista diária,
é campo de batalha.
Com ele não sei lidar,
e me queimo e me corto
e não o controlo,
pois não é hipótese, é fato.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

Seu comentário também é poesia