Poema final

Um poema único,
um único poema,
rolado do alto da serra,
água primeira
da primeira fonte.

Um poema de sete portas
que se abrem para sete corredores
com sete portas cada.

Um poema milenar,
legado remoto de ancestrais,
cinzelado na pedra mais dura
inerte, invulnerável, absoluto.

Um poema que te justifique,
que chegue à tua última víscera,
te exiba em tiras,
mantas de charque no varal.

Um poema caído do Olimpo,
idéia perfeita tecida com palavra,
úmido de transcendência.

Um poema final.
Depois dele, silêncio,
refúgio no deserto,
jejum eterno.

Um poema que não virá.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

Seu comentário também é poesia