Troféus

Veja aqui os troféus
da tua experiência:
uma acuidade milimétrica
para as próprias limitações,
alguns objetos de fetiche
a ornar teu castelo de papel,
o escudo de palavras ocas,
a fina ironia de cristal,
a consciência de morrer.
Veja mais:
que dissimulação primorosa
dos sentimentos,
que capacidade de não sentir,
que silêncio na veia quase imóvel.
Ah, não querer nascer de novo,
não se arrepender de nada,
fazer malabarismo com facas,
e abrir a porta em silêncio para a dor.
Que bom não se ver no espelho,
não ouvir a boca úmida que te beija ao longe
e lá no fundo, a brasa quase sem luz,
que eventualmente te faz humano,
e te põe a buscar uma ordem rigorosa
para as palavras.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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