Diário

Oh, que saudades que tenho
do meu diário querido
de nunca escrevi.
O que sempre te entende,
docemente tudo aceita
e não se apoquenta
seja tratado como amigo
ou como penico.
Que infalível psicanálise,
que pautado ouvido branco.
Pertencendo à categoria
das coisas magníficas
te recebe de páginas abertas
no teu despojamento brutal,
na tua rústica precariedade
na súplica abafada e nua.
Diário é sempre diário
mesmo que escrevas o tempo todo:
estou aqui, estou aqui.
E eu, que nunca escrevi diário,
o que escrevo, senão diário?

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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