O vento e a vela

Vamos esclarecer uma coisa
que são duas: a poesia e a poesia.
A primeira está no ar,
na rua, na praia, ou
na soleira da porta
ao lado do vira-lata que dorme.
A primeira é bela em si,
se não é, faz-se,
graças a um quê de pungência,
a uma inédita combinação
de objetos banais.
A segunda está no papel
e engarrafa a primeira
em frasco de palavras.
A segunda, se é bela,
é porque deu-se
a harmonia rara
entre o vento e a vela.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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